quinta-feira, 24 de março de 2022

Homília da quinta-feira 3a SEMANA DA QUARESMA

 I. Introdução

Eu sou a salvação do povo, diz o Senhor: quando, em qualquer aflição, clamarem por mim, eu os ouvirei e serei seu Deus para sempre.

Por meio de seus profetas, Deus nunca deixa de orientar seu povo; este é que muitas vezes se torna surdo à voz do Senhor e se afasta de seus ensinamentos. Evitando ter o coração dividido, acolhamos a vontade divina.

 II . Comentário

As curas promovidas por Jesus, para além do bem-estar recaído sobre os curados, também reintegravam tais pessoas ao convívio social, pois lhes restituíam a dignidade e a plenitude da vida.

Jesus é acusado de realizar suas ações por meio do príncipe dos demônios, e não por meio de Deus; contudo, ele devolve a pergunta e afirma que um reino dividido é facilmente destruído.

Precisamos discernir e escolher com quem estamos e ao lado de quem nos posicionamos. Não é possível estarmos com os pés em duas canoas, obviamente não haverá estabilidade e em pouco tempo estaríamos dentro d’água.

Recolher, por mais difícil que seja, implica renunciar, pois optamos seguir por determinada via assumindo as consequências dessa opção. Quem não se decide vive na superficialidade e de forma inconsistente.

 III Atualização

 •

 Mas este episódio contém uma admoestação que serve a todos nós.

 Com efeito, pode acontecer que uma grande inveja pela bondade e

 pelas boas obras de uma pessoa possa levar a acusá-la falsamente.

 Há nisto um grande veneno mortal: a maldade com que, de maneira

 intencional se pretende destruir a boa fama do outro.

 Deus nos livre desta terrível tentação! E se, examinando a nossa

 consciência, nos apercebemos que esta erva daninha está a germinar

 dentro de nós, vamos imediatamente confessá-lo no sacramento da

 Penitência, antes que se desenvolva e produza os seus efeitos

 malvados, que são incuráveis.

 Estai atentos, pois esta atitude destrói as famílias, as amizades, as

 comunidades e até a sociedade.



   

quarta-feira, 23 de março de 2022

Homília da Quarta-feira da 3° Semana da Quaresma


I. Introdução

II. Comentário

  Hoje em dia há muito respeito pelas distintas religiões. Todas elas expressam

 a busca da transcendência por parte do homem, a busca do além, das realidades

 eternas.

 No entanto, no cristianismo, que afunda suas raízes no judaísmo, esse

 fenômeno é inverso: é Deus quem procura o homem.

  Como lembrou João Paulo II, Deus deseja se aproximar do homem, Deus quer

 dirigir-lhe suas palavras, mostrar-lhe o seu rosto porque procura a intimidade com

 ele. Isto se faz realidade no povo de Israel, povo escolhido por Deus para receber suas

 palavras.

 Essa é a experiência que tem Moisés quando diz: «Pois qual é a grande nação

 que tem deuses tão próximos como o SENHOR nosso Deus, sempre que o

 invocamos?»(Dt 4,7). E, ainda, o salmista canta que Deus «Anuncia a Jacó a sua

 palavra, seus estatutos e suas normas a Israel.

 Não fez assim com nenhum outro povo, aos outros não revelou seus preceitos.

 Aleluia!» (Sal 147,19-20).

 Jesus, pois, com sua presença leva a cumprimento o desejo de Deus de

 aproximar-se do homem. Por isto diz que: «Não penseis que vim abolir a Lei e os

 Profetas.

 Não vim para abolir, mas para cumprir» (Mt 5,17). Vem a enriquecê-los, a

 iluminá-los para que os homens conheçam o verdadeiro rosto de Deus e possam

 entrar na intimidade com Ele.

 Neste sentido, menosprezar as indicações de Deus, por insignificantes que

 sejam, comporta um conhecimento raquítico de Deus e, por isso, um será tido por

 pequeno no Reino dos Ceús.

 empanados».

E é que, como dizia São Teófilo de Antioquia, «Deus é visto pelos que podem

 ver-lhe, só precisam ter abertos os olhos do espírito (...), mas alguns homens os têm

  Aspiremos, pois, na oração seguir com grande fidelidade todas as indicações

 do Senhor. Assim, chegaremos a uma grande intimidade com Ele e, portanto, seremos

 tidos por grandes no Reino dos Céus.

 III. Atualização

 • «A fim de preparar o homem para uma vida de amizade com Deus, o Senhor deu as palavras do Decálogo: por isso, estas palavras também continuam a valer para nós, e a vinda em carne de Nosso Senhor não

  as revogou, pelo contrário deu plenitude e universalidade» (Santo Irineu)


 • «Todos os mandamentos revelam todo o seu sentido como exigência do amor e todos se unem no grande mandamento: amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a si mesmo» (Francisco)

• «A Lei evangélica dá cumprimento aos mandamentos da Lei. O sermão do Senhor, longe de abolir ou desvalorizar as prescrições morais da Lei antiga, tira deles as virtualidades ocultas, fazendo surgir novas

 exigências: revela toda a verdade divina e humana (...)» (Catecismo da Igreja Católica, no 1.968



 

terça-feira, 22 de março de 2022

Homília da Terça-feira da 3° Semana da Quaresma

I. Introdução

II. Comentário

  Hoje, o Evangelho de Mateus convida-nos a uma reflexão sobre o mistério do perdão,

 propondo um paralelismo entre o estilo de Deus e o nosso na hora de perdoar.

  O homem atreve-se a medir e a levar em conta a sua magnanimidade

 perdoadora: «Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim?

  Até sete vezes?» (Mt 18,21).

A Pedro parece-lhe que sete vezes já é muito e que é, talvez, o máximo que

 podemos suportar. Bem visto, Pedro continua esplêndido, se o compararmos com o

 homem da parábola que, quando encontrou um companheiro seu que lhe devia cem

 denários, «Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’» (Mt

 18,28), negando-se a escutar a sua súplica e a promessa de pagamento.

 Fechadas as contas, o homem, ou se nega a perdoar, ou mede estritamente a

 medida do seu perdão. Verdadeiramente ninguém diria que receberíamos da parte

 de Deus um perdão infinitamente reiterado e sem limites. A parábola diz: «o senhor

 teve compaixão, soltou o servo e perdoou-lhe a dívida» (Mt 18,27). E a divida era muito

 grande.

 Mas a parábola que comentamos põe acento no estilo de Deus na hora de

 outorgar o perdão. Depois de chamar à ordem o seu devedor em atraso e de o fazer

 ver a gravidade da situação, deixou-se enternecer repentinamente pelo seu pedido

 contrito e humilde: «‘Tem paciência comigo, e eu te pagarei tudo’. Diante disso, o

 senhor teve compaixão...» (Mt 18, 26-27).

 Este episódio põe à vista aquilo que cada um de nós conhece por experiência

 própria e com profundo agradecimento: que Deus perdoa sem limites ao arrependido

 e convertido. O final negativo e triste da parábola, contudo, faz honras de justiça e

 manifesta a veracidade daquela outra sentença de Jesus em Lc 6,38: «Com a medida

 com que medirdes sereis medidos.

  III. Atualização

• «Aquele que perdoa e aquele que é perdoado, encontram-se num ponto essencial, na dignidade» (São João Paulo II)

  • «O perdão é o instrumento, posto nas nossas frágeis mãos, para alcançarmos a serenidade de coração» (Francisco)

• «Não há nenhuma falta, por mais grave que seja, que a santa Igreja não possa perdoar. «Nem há pessoa, por muito má e culpável que seja, a quem não deva ser proposta a esperança certa do perdão, desde que se

 arrependa verdadeiramente dos seus erros». Cristo, que morreu por todos os homens, quer que na sua Igreja as portas do perdão estejam


sempre abertas a todo aquele que se afastar do pecado (cf. Mt 18,21-22)» (Catecismo da Igreja Católica, no 982)



 

segunda-feira, 21 de março de 2022

Homília da III semana da Quaresma.

 I. Introdução

  Não é fácil compreender o que seja a humildade. Esta resulta duma

 mudança que o próprio Espírito realiza em nós através da história que

 vivemos, como acontece, por exemplo, ao sírio Naaman (cf. 2 Re 5).

 Gozava de grande fama, no tempo do profeta Eliseu. Era um general

 valoroso do exército arameu, que demonstrara o seu valor e coragem em

 várias ocasiões. Mas por trás da fama, da força, da estima, das honras, da

 glória, este homem vive um drama terrível: é leproso.

 A sua armadura, a mesma que lhe proporciona fama, na realidade

 cobre uma humanidade frágil, ferida, doente. Esta contradição, encontramo-

 la frequentemente na nossa vida: às vezes, os grandes dons constituem a

 armadura para encobrir grandes fragilidades.

 II. Comentário

Hoje vemos o cepticismo dos conterrâneos de Jesus quando este lhes disse

 que se cumpria sobre Ele a Escritura: “O Espírito do Senhor está sobre mim...” (Is 61,1).

 Efetivamente a Lei e os Profetas falam do futuro Messias.

 Relacionados com o mistério pascal, destacam Zacarias mencionando um

 reino de “mar a mar” (presságio da universalidade da salvação); um rei de paz (que

 rompe os arcos guerreiros e chega montado num burrico); o pastor ferido que com a

 sua morte, traz a salvação; o trespassado...

 III Atualização

Em Isaías encontramos a visão do servo de Deus que sofre e que servindo

 oferece a vida pela multidão trazendo assim a salvação...

 O que neles é ainda uma visão misteriosa, cuja configuração concreta não se

 pode perceber, desvenda-se pouco a pouco no obrar de Jesus Cristo, até adquirir a

 sua plena forma depois da ressurreição.

 O próprio Jesus transforma-se mais tarde, depois da Páscoa, na chave para ler

 de uma forma nova a Lei e os Profetas.

  -- A afirmação de Jesus é o preâmbulo da lição que quer dar à gente reunida na

 sinagoga e assim, abrir os seus olhos à evidencia de que pelo simples feito de serem

 membros do “Povo escolhido” não têm nenhuma garantia de salvação, cura,

 purificação (isso o confirmará com os dados da história da salvação).

 -- Mas, dizia que a afirmação de Jesus, para muitas e muitos é, com excessiva

 frequência, motivo de desculpa para não “comprometer-nos evangelicamente” no

 nosso ambiente cotidiano. Sim, é uma daquelas frases que todos aprendemos de

 memória e, que efeito faz!

 -- Parece como gravada na nossa consciência de maneira particular e quando no

 escritório, no trabalho, com a família, no circulo de amigos, no nosso meio social

 

quando devemos de tomar decisões compreensíveis à luz do Evangelho, esta “frase

 mágica” tira-nos para trás como dizendo-nos: —Não vale a pena esforçar-te, nenhum

 profeta é bem recebido na sua terra! Temos a desculpa prefeita, a melhor das

 justificações para não ter que dar testemunho, para não apoiar a aquele companheiro

 que é vitima da gestão da empresa, ou ignorar e não ajudar à reconciliação daquele

 casal conhecido



domingo, 20 de março de 2022

–Homíliado3• DAQUARESMA


(roxo, creio – 3a semana do saltério) I. Introdução

Tenho os olhos sempre fitos no Senhor, porque livra os meus pés da

     armadilha. Olhai para mim, tende piedade, pois vivo sozinho e infeliz (Sl 24,15s).

 Aproximando-nos do Deus da vida nesta santa liturgia, vamos nos abrir ao apelo que ele nos dirige neste tempo quaresmal. Somos convidados a assumir uma caminhada de conversão, apresentando ao Senhor os frutos que ele de nós espera. Jesus, na Eucaristia, é o divino vinhateiro que fecunda nosso coração e o rochedo que sustenta nosso viver.

 II. Comentário

A partir de duas tragédias – as atrocidades provocadas por Pilatos e o acidente da torre de Siloé, matando dezoito pessoas -, Jesus aproveita para nos dar alguma lição.

Não podemos ver as desgraças como castigo divino para os que foram

 atingidos. Podem, porém, ser vistas como apelo de conversão. Todos temos necessidade de mudança de vida para o melhor.

Deus pode nos falar também por meio dos fatos, mesmo não muito agradáveis. As pessoas que ficaram chocadas com as mortes das tragédias recebem de Jesus uma resposta talvez mais chocante ainda: se vocês não se converterem, morrerão do mesmo modo.

O Senhor que diz palavras de ânimo, de consolo, é o mesmo que profere expressões de advertência. Não faz isso, porém, para escandalizar ou para

 deprimir os seguidores. Adverte por amor, misericórdia, compaixão.

O amor de Deus por nós se apresenta às vezes como remédio que cura, mas que, para ser eficiente, pode ser amargo.


 A parábola a seguir parece nos dizer que a conversão que Jesus pede não é apenas algo que demonstramos com bonitas palavras, mas consiste em produzir frutos.

Podemos nos questionar sobre nosso envolvimento diante de tanta violência, mortes, tragédias que diariamente presenciamos ou recebemos pelos meios de comunicação.

III. Atualização

 -Hoje, Jesus é interpelado sobre alguns factos dolorosos. Diante da fácil conclusão de considerar o mal como efeito da punição divina, Jesus restitui a verdadeira imagem de Deus, que é bom e não pode desejar o mal.

--Jesus convida a fazer uma leitura diversa daqueles factos, colocando-os na perspectiva da conversão: as desventuras, os acontecimentos dolorosos, não devem suscitar em nós curiosidade ou busca de presumíveis culpados, mas devem representar ocasiões para reflectir, para vencer a ilusão de poder viver sem Deus, e para fortalecer, com a ajuda do Senhor, o compromisso de mudar de vida.

 —A possibilidade de conversão exige que aprendamos a ler os acontecimentos da vida na perspectiva da fé, isto é, animados pelo santo temor de Deus. Na presença de sofrimentos e lutos, verdadeira sabedoria é deixar-se interpelar pela precariedade da existência e ler a história humana com o olhar de Deus.



 

sábado, 19 de março de 2022

Homília da Solenidade de São José.

 I. Introdução

  Hoje, festa de são José, consideramos teologicamente a realidade do trabalho.

 A “Bíblia" mostra como o trabalho pertence à condição originaria do homem. Quando

 o Criador plasmou o homem a sua imagem e semelhança, o convidou para trabalhar

 a terra... E o mesmo Filho de Deus, fazendo-se semelhante em todo a nós, dedicou

 muitos anos as atividades manuais (era o “filho do carpinteiro”).

 O trabalho é fundamental para o desenvolvimento do homem e da sociedade.

  Deve se organizar “sempre" no pleno respeito da dignidade humana e ao serviço do

bem comum: o homem é sujeito e protagonista do trabalho. Ao mesmo tempo, é

 indispensável que o homem não se deixe dominar pelo trabalho, que não o idolatre,

 pretendendo achar nele o sentido último e definitivo da vida.

 É necessário viver uma espiritualidade que ajude os crentes a se santificar

 através do seu trabalho, imitando a são José, que cada dia abasteceu com suas mãos

 as necessidades da Sagrada Família.

  II. Comentário

Hoje, a igreja nos convida a contemplar a amável figura do santo Patriarca.

 Escolhido por Deus e por Maria, José viveu como todos nós entre tristezas e alegrias.

 Temos que olhar para qualquer uma de suas ações com interesse especial. Sempre

 aprenderemos com ele. É conveniente que nos coloquemos no lugar dele para imitá-

 lo, porque assim poderemos responder, como ele, à vontade divina.

 Tudo em sua vida —modesta, humilde, simples— é luminoso. Por isso, místicos

 famosos (Teresa de Ávila, Hildegarde de Bingen, Teresinha de Lisieux), grandes

 Fundadores (Benito, Bruno, Francisco de Assis, Bernardo de Clairvaux, Josemaría

 Escrivá) e tantos santos de todos os tempos nos encorajam a tratar e ame-o para

 seguir os passos daquele que é o Padroeiro da Igreja. É o atalho para santificar a

 privacidade do nosso lar, entrar no seio da Sagrada Família, para levar uma vida de

 oração e também para santificar o nosso trabalho.

 Graças à sua união constante com Jesus e Maria - essa é a chave! - José pode

 simplesmente experimentar o extraordinário, quando Deus o pede, como na cena

 evangélica da Missa de hoje, pois costuma realizar tarefas ordinárias sobretudo nunca

 são irrelevantes porque garantem uma vida feliz e bem-sucedida, que leva à bem-

 aventurança celestial.

 Todos nós podemos, escreve o Papa Francisco, “encontrar em São José - o

 homem que passa despercebido, o homem da presença quotidiana, discreto e

 escondido - um intercessor, um apoio e um guia nos momentos de dificuldade (...).

 José nos ensina que ter fé em Deus também inclui acreditar que Ele pode agir mesmo

 em meio aos nossos medos, nossas fragilidades, nossas fraquezas. E nos ensina que,

 em meio às tempestades da vida, não devemos ter medo de entregar o leme do nosso

 barco a Deus.

  III. Atualização

Hoje, a Igreja celebra a solenidade de São José, esposo de Maria. É como um

 parêntesis alegre dentro da austeridade da Quaresma. Mas a alegria desta festa não

 

é um obstáculo para continuarmos a avançar no caminho de conversão, próprio do

 tempo   quaresmal.

Bom é aquele que, elevando o seu olhar, faz esforços para que a sua própria vida se

 adapte ao plano de Deus. E bom é aquele que, olhando para os outros, procura

 interpretar sempre no bom sentido todas as ações que realizam e defender o seu bom

 nome. Nestes dois aspectos de bondade se nos apresenta São José no Evangelho de

 hoje.

Deus tem um plano de amor para cada um de nós, já que «Deus é amor» (1Jo 4,8).

 Porém, a dureza da vida leva a que algumas vezes não o saibamos descobrir.

 Logicamente, queixamo-nos e resistimos a aceitar as cruzes.

 Não deve ter sido fácil para São José ver que Maria «antes de passarem a conviver, se

 encontrou grávida pela ação do Espírito Santo» (Mt 1,18). Tinha pensado desfazer o

 acordo matrimonial, mas «secretamente» (Mt 1,19). Contudo, «quando o anjo do

 Senhor lhe apareceu em sonho» (Mt 1,20) revelando-lhe que tinha de ser pai legal do

 Menino, aceitou imediatamente «e acolheu sua esposa» (Mt 1,24).

 A Quaresma é uma boa ocasião para descobrirmos o que é que Deus espera de nós, e

 reforçar o nosso desejo de o pôr em prática. Peçamos ao bom Deus «por intercessão

 do Esposo de Maria», como diremos na Oração Coleta da Missa, que avancemos no

 nosso caminho de conversão, imitando São José na aceitação da vontade de Deus e

 no exercício da caridade com o próximo. E, ao mesmo tempo, tenhamos presente que

 «toda a Santa Igreja está em dívida com a Virgem Mãe, já que por ela recebeu Cristo,

 assim também, depois dela, São José é o mais digno do nosso agradecimento e

 reverência (S. Bernardino de Sena).



quinta-feira, 17 de março de 2022

Homília da Sexta-feira da II semana da Quaresma

 I. Introdução

A essência da parábola é contar algo considerado verdadeiro, mas de maneira simples, sutil e elegante.

Jesus sabe utilizar muito bem esse recurso que tem como alvo, hoje, os chefes dos sacerdotes e anciãos.

II. Comentário

Jesus critica os líderes do povo porque estes não administram a obra de Deus como deveriam.

As lideranças, de modo particular, bem como todas as pessoas envolvidas com a obra de Deus, são meros administradores que prestarão conta de seus atos.

A missão desses líderes é produzir boas uvas, ou seja, proporcionar vida plena a todos que estão, de algum modo, sob seus cuidados.

Quando, ao contrário, tais lideranças são geradoras de morte – e morte aqui entendida de diversas formas -, precisam ser afastadas e substituídas.

A turbulenta história de José – rejeitado pelos irmãos – exemplifica o tema da cruz que conduz à vida. Nas tribulações do cotidiano, somos convidados a confiar no Senhor, que é nosso protetor.

Este é o grande pecado. É o pecado de esquecer que Deus se fez Ele mesmo dom para nós, que Deus nos ofereceu isto como dom e, esquecendo isto, tornar-nos proprietários.

Aí, nessa atitude, talvez eu veja no Evangelho o início do clericalismo, que é uma perversão, que renega sempre a eleição gratuita de Deus, a aliança gratuita de Deus, a promessa de Deus.

Esquece a gratuidade da revelação, esquece que Deus se manifestou como dom, se fez dom para nós e nós devemos dá-lo, mostrá-lo aos outros como dom, não como nossa posse.

III.

Atualização

No início do Evangelho segundo São Mateus, a Boa Nova parece ser dirigida unicamente a Israel. O povo escolhido, já na Antiga Aliança, tem a missão de anunciar e de levar a salvação a todas as nações. Mas Israel não foi fiel à sua missão. Jesus, o mediador da Nova Aliança, congregará à sua volta os doze Apóstolos, símbolo do “novo” Israel, chamado a dar frutos de vida eterna e a anunciar a todos os povos a salvação.

Este novo Israel é a Igreja, todos os batizados. Nós temos recebido, na pessoa de Jesus e na Sua mensagem, uma graça única que temos que fazer frutificar. Não podemos conformar–nos com uma vivência individualista e fechada à nossa fé; há que comunicá- la e oferecê-la a cada pessoa que está próxima de nós. Daqui decorre que o primeiro fruto é viver a nossa fé no calor da nossa família, bem como no da comunidade cristã. Tal será simples pois «onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles» (Mt 18,20).


• Mas trata-se de uma comunidade cristã aberta, o que quer dizer que é eminentemente missionária (segundo fruto). Pela força e pela beleza do Ressuscitado “no meio de nós”, a comunidade atrai através todos os seus gestos e atos, e cada um dos seus membros goza da capacidade de envolver homens e mulheres na nova vida do Ressuscitado. E um terceiro fruto consiste em que vivamos na convicção e na certeza de que no Evangelho encontramos a solução para todos os problemas.