quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Homília da QUINTA-FEIRA da 4° semana Comum

I. Introdução

Jesus envia os apóstolos, numa espécie de experiência, para anunciar o Evangelho, com autoridade para converter e libertar dos demônios que dominam as pessoas.

II. Comentário

A missão dos Doze é continuar a obra libertadora do Mestre. A bagagem é simples e modesta, apenas o necessário para se vestir e proteger os pés, e carregam o símbolo da missão, o bastão. Com isso, o Mestre ensina que o evangelizador deve estar livre e desapegado de tudo o que possa ser obstáculo à credibilidade da missão.

A riqueza gera segurança e pode nutrir o espírito de dominação e discriminação, principalmente em ambientes simples e pobres. Com isso, os apóstolos, pregando na pobreza, deviam confiar-se na providência divina.

Ela não deixaria que lhes faltasse o necessário para a sobrevivência. Jesus não convida todos a segui-lo da mesma forma, porém espera que cada um seja fiel ao seu projeto.

III. Atualização

• «Que o mundo, pela predicação da Igreja, ouvindo, possa acreditar, acreditando, possa

esperar e esperando, possa amar» (Santo Agostinho)

• «Devemos reavivar em nós o sentimento de urgência que Paulo tinha quando exclamava: `Aí de mim se não predicasse o Evangelho! ́(1Cor 9,16). Esta paixão suscitará na Igreja uma nova ação missionária, que não poderá ser delegada nuns quantos “especialistas” mas, que acabará por implicar a responsabilidade de todos os membros do Povo de Deus» (São João Paulo II)

• «O dever dos cristãos, de tomar parte na vida da Igreja, leva-os a agir como testemunhas do Evangelho e das obrigações que dele dimanam. Este testemunho é transmissão da fé por palavras e obras» (Catecismo da Igreja Católica, no 2.472)



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

HOMILIA da QUARTA-FEIRA da APRESENTAÇÃO DO SENHOR

4 ° semana comum (branco, glória, pref. Próprio – ofício da festa)

I. Introdução

Recebemos, ó Deus, a vossa misericórdia no meio de vosso templo. Vosso louvor se estende, como o vosso nome, até os confins da terra; toda a justiça se encontra em vossas mãos (Sl 47,10s).

De origem oriental, a “Festa das luzes” estendeu-se, no século 4o, ao Ocidente, com o nome de “Encontro”. Caracterizou-se pela solene bênção das velas e procissão, tornando-se conhecida também como a “Candelária”. Do mesmo modo que Jesus, luz das nações, foi apresentado ao Pai no templo, também nós corramos ao encontro do Salvador.

II. Comentário

Hoje, aguentando o frio do inverno, Simeão aguarda a chegada do Messias. Há quinhentos anos, quando se começava a levantar o Templo, houve uma penúria tão grande que os construtores se desanimaram. Foi então quando Ageo profetizou: «O esplendor desta casa sobrepujará o da primeira – oráculo do Senhor dos exércitos» (Ag 2,9); e completou que «sacudirei todas as nações, afluirão riquezas de todos os povos e encherei de minha glória esta casa, diz o Senhor dos exércitos» (Ag 2,7). Frase que admite diversos significados: «o mais apreciado», dirão alguns, «o desejado de todas as nações», afirmará são Jerônimo.

A Simeão «Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor» (Lc 2,26), e hoje, «movido pelo Espírito», subiu ao Templo. Ele não é levita, nem escriba, nem doutor da Lei, é somente um homem «Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele» (Lc 2,25) O vento sopra onde quer e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim é também todo aquele que nasceu do Espírito”. (cf. Jo 3,8).

Agora comprova com desconcerto que não se tem feito nenhum preparativo, não se veem bandeiras, nem grinaldas, nem escudos em nenhum lugar. José e Maria cruzam a explanada levando o Menino nos braços. «Levantai, ó portas, os vossos frontões, erguei-vos, portas antigas, para que entre o rei da glória» (Sal 24,7), clama o salmista.

Simeão avança para saudar a Mãe com os braços estendidos, recebe ao Menino e abençoa a Deus, dizendo: «Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. Porque os meus olhos viram a vossa salvação. Que preparastes diante de todos os povos, como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel» (Lc 2,29-32).

Depois diz a Maria: «E uma espada traspassará a tua alma!» (Lc 2,35). Mãe! —digo-lhe— quando chegue o momento de ir à casa do Pai, leva-me nos braços como Jesus, que também eu sou teu filho e menino.

III. Atualização

• «Chegou já aquela luz verdadeira que vindo para este mundo ilumina todo homem.

Deixemos, irmãos, que esta luz nos penetre e nos transforme. Nenhum de nós ponha obstáculos para esta luz. Imitemos a alegria de Simeão e, como ele, cantemos um hino de ação de graças» (São Sofrônio)


• «O anúncio de Simeão parece como um segundo anúncio para Maria, porque lhe indica a concreta dimensão histórica na qual o Filho vai cumprir sua missão, em outras palavras, na incompreensão e na dor» (São João Paulo II)

• «Com Simeão e Ana, é toda a espera de Israel que vem ao encontro de seu Salvador. Jesus é reconhecido como o Messias tão esperado, “luz das nações” e “gloria de Israel”, mas é também “sinal de contradição”. A espada de dor predita a Maria anuncia esta outra oblação, perfeita e única, da cruz, que dará a salvação que Deus “preparou diante de todos os povos”» (Catecismo da Igreja Católica, n°529)




terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Homília da Terça-feira da 4° Semana do Tempo Comum.

I. Introdução

Nesse relato temos duas narrativas entrelaçadas, trazendo duas mulheres: uma em plena adolescência (doze anos), com toda a vida pela frente, à beira da morte; a outra, há doze anos carregando o peso da exploração econômica e da discriminação religiosa. Jesus vence dois poderosos inimigos: a morte da menina e a doença incurável da mulher.

II. Comentário

Hoje consideramos a oração como combate da fé e vitória da perseverança. Em “Gênesis” (cap. 32), aquela misteriosa luta —“corpo a corpo” entre Jacó e Deus —anuncia algo do que hoje contemplamos na “hemorroisa” e em Jairo.

A oração pede confiança, proximidade, um “corpo a corpo” simbólico com Deus, tal como age a mulher que sofria hemorragia: “Se eu conseguir tocar...”. A “luta” conota força de ânimo, perseverança, tenacidade para atingir o que se deseja ante um Deus que abençoa se bem permanece sempre misterioso, como inalcançável.

Se o objeto do desejo é a relação com Deus, sua bênção e seu amor, então a luta culmina no reconhecimento da própria debilidade, que vence precisamente quando se abandona nas mãos misericordiosas de Deus: “a tua fé te salvou”.

Quando ninguém me escuta, quando já não posso invocar a ninguém, quando o problema parece desbordar toda esperança —tal era a situação de Jairo — então Deus ainda me escuta e me ajuda.

III. Atualização

• A mulher aproxima-se de Jesus, toca a roupa dele e fica curada; a menina é tocada por

Jesus e se levanta.

• O encontro e o contato com Jesus transformam e promovem a vida das pessoas. O tocar

em Jesus ou deixar-se tocar por ele é o gesto concreto de um encontro salvífico.

• A fé da mulher e a fé do pai da menina conseguem recuperar a dignidade dessas duas pessoas. A misericórdia de Jesus aliada à fé das pessoas restaura a plenitude da vida.

Como seria bom ouvir de Jesus: sua fé salvou você, vai em paz.




segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

HOMILIA da SEGUNDA-FEIRA do tempo comum

SÃO JOÃO BOSCOPRESBÍTERO

(branco, pref. Comum, ou dos pastores, – ofício da memória) I. Introdução

Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais, diz o Senhor. O Reino do céu pertence aos que se parecem com eles (Mc 10,14).

João Bosco nasceu em 1815 na Itália e lá faleceu em 1888. Sua inteligência brilhante e o gosto pelos estudos o favoreceram com sólida cultura. Ordenado padre, cercou-se de numerosos jovens humildes e desempregados, os quais motivaram a fundação da “Família Salesiana”: padres, religiosos, religiosas – as Filhas de Maria Auxiliadora – e cooperadores leigos. Enfrentou pesados obstáculos, mas superou-os com o auxílio do Espírito Santo. Aprendamos deste santo educador a manter, em nossa vida diária, a alegria que nasce da oração.

II. Comentário

Hoje encontramos um fragmento do Evangelho que pode provocar o sorriso a mais de um. Imaginar-se uns dos mil porcos precipitando-se pelo monte abaixo, não deixa de ser uma imagem um pouco cômica. Mas a verdade é que a eles não lhes fez nenhuma graça, se enfadaram muito e lhe pediram a Jesus que se fora de seu território.

A atitude deles, mesmo que humanamente poderia parecer lógica, não deixa de ser francamente recriminável: prefeririam ter salvado seus porcos antes que a cura do endemoninhado. Isto é, antes os bens materiais, que nos proporcionam dinheiro e bem estar, que a vida em dignidade de um homem que não é dos “nossos”. Porque o que estava possuído por um espírito maligno só era uma pessoa que «Sempre, dia e noite, andava pelos sepulcros e nos montes, gritando e ferindo-se com pedras» (Mc 5,5).

Nos temos muitas vezes este perigo de apegar-nos ao que é nosso, e desesperar-nos quando perdemos aquilo que só é material. Assim, por exemplo, o camponês se desespera quando perde uma colheita mesmo tendo-a assegurada, ou o jogador de bolsa faz o mesmo quando suas ações perdem parte de seu valor. Em compensação, muitos poucos se desesperam vendo a fome ou a precariedade de tantos seres humanos, alguns dos quais vivem ao nosso lado.

III.

• • •

Atualização

Jesus sempre pôs em primeiro lugar as pessoas, mesmo antes que as leis e os poderosos de seu tempo.

Muitas vezes, pensamos só em nós mesmos e naquilo que acreditamos que nos traz felicidade, mesmo o egoísmo nunca traz felicidade.

Como diria o bispo brasileiro Helder Câmara: «O egoísmo é a fonte mais infalível de infelicidade para si mesmo e para os que o rodeiam»



domingo, 30 de janeiro de 2022

Homília do 4° Domingo do Tempo Comum

I. Introdução

Neste domingo, a reflexão recai sobre a vocação de profeta com seus percalços. Quem está em sintonia com Deus e lembra ao povo e às autoridades a fidelidade a Deus, dificilmente encontra compreensão e aplausos. Sofre perseguições, mas em Deus encontra forças para continuar a missão. Foi assim com Jeremias e com Jesus.

II. Comentários 1° Leitura

O profeta Jeremias recebe sua vocação, revelada em Jr 1,4-5.17-19, por volta do ano 620 a.C., um pouco antes do Exílio da Babilônia.

A situação não está fácil. As infidelidades por parte das autoridades e do povo são muitas. Ele, assim como Moisés (Ex 3,1ss), Isaías (6,1ss), João Batista (Lc 1,15) e Paulo (Gl 1,15), é chamado por Deus e encorajado para a árdua missão de ser profeta.

2° Leitura

Em 1Cor 12,31–13,12, Paulo lembra que o mais importante de todos os carismas é o amor. Tudo passa, só o amor permanece.

O amor dá sentido aos demais carismas. O amor até supera a fé e a esperança. No céu não haverá mais esperança nem fé, pois lá se vê Deus face a face; não se precisa mais de fé nem de esperança. Mas o amor ainda estará em pleno vigor.

Evangelho

Lucas relata em seu evangelho (Lc 4,21-30) a reação à leitura de Is 61,1-3 que Jesus fez na sinagoga de Nazaré (Lc 4,14-20). Em Jesus, Deus oferece a graça plena (ano da graça), mas isso provoca reações nos conterrâneos, embora muitos ficassem admirados. Como pode um simples conterrâneo, filho de José, ser tão importante? Até querem ver show (como ocorreu em Cafarnaum, cf. Mc 1,2ss), mas ficam irados com suas palavras.

Jesus, como outrora Elias (1Rs 17,8ss) e Eliseu (2Rs 5,1ss), não fará milagres em sua pátria, mas somente fora dali. Os seus se fecham justamente por ele ser um simples filho da terra: profeta da própria pátria.

O texto reflete a situação dos cristãos de primeira hora. Muitos aderem a Jesus, mas, quando sentem as novidades do seguimento, o abandonam e voltam à vida anterior (Jo 6,60ss).

III. Atualização

• A Igreja, hoje, encontra incompreensões e dificuldades. Contudo, ela jamais, em sua

missão, deve se preocupar em agradar a quem quer que seja.

• Profecia não é sinônimo de estrelismo midiático. Sua preocupação deve sempre ser a

fidelidade ao evangelho, sem nada temer.

• Em meio a críticas e perseguições, ela poderá ter uma certeza: como Deus protegeu

Jeremias, como protegeu Jesus que escapou das mãos dos que queriam precipitá-lo, assim também, hoje, a Igreja receberá a proteção de Deus.


• Práticas religiosas que fogem ao conflito não são fiéis ao Reino.




sábado, 29 de janeiro de 2022

Homília do Sábado da 3° semana comum

 Introdução

Eis uma imagem eficaz da Igreja: um barco que deve enfrentar as tempestades e às vezes parece que está prestes a sucumbir. Aquilo que a salva não são as qualidades nem a coragem dos seus homens, mas a fé, que permite caminhar até no meio da escuridão, entre as dificuldades.

II. Comentário

A fé confere-nos a segurança da presença de Jesus sempre ao nosso lado, da sua mão que nos segura para nos proteger do perigo.

Todos nós estamos neste barco, e aqui sentimo-nos seguros, não obstante os nossos limites e as nossas debilidades. Estamos seguros sobretudo quando sabemos ajoelhar-nos e adorar Jesus, o único Senhor da nossa vida.

Passar para a outra margem indica nova etapa na missão de Jesus e dos discípulos: a missão com os gentios, na época conhecidos como pagãos. É o grande desafio das comunidades cristãs dos inícios: passar de uma mentalidade nacionalista para uma mentalidade universalista.

São desafios que vão surgindo na história da Igreja. Nesses últimos anos, o papa Francisco, com base no Concílio Vaticano II, convida a Igreja a sair de seu comodismo para ir às periferias existenciais e sociais. Sair de uma Igreja “poderosa” para uma Igreja pobre, para os pobres e acolhedora.

Proposta que não agrada a muitos e que é rejeitada por outros. Jesus censura seus discípulos por causa do medo em assumir a nova proposta do Mestre. A Igreja precisa estar sempre atenta e aberta aos sinais dos tempos, e não se acomodar no status quo.

III. Atualização

• A vida do discípulo de Jesus é tecida de tribulações e dificuldades. Quem quiser viver a fidelidade radical ao Reino, ver-se-á às voltas com perseguições. Na comunidade cristã, desde o início, esta situação era comum. Nos momentos de prova, a primeira tentação foi a de desesperar-se.

• O sentimento de abandono transformou-se em sentimento de impotência. E os discípulos acabaram entregando os pontos.

• Este desespero denuncia a carência de uma fé sólida no Senhor. Esta comporta a certeza da presença do Mestre, junto a seus discípulos, mormente na provação. Quando se pensa que ele está ausente, então é que está mais próximo de nós. É preciso não duvidar desta sua presença.




sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Homilia da sexta-feira da 3° Semana Comum

SANTO TOMÁS DE AQUINO PRESBÍTERO E DOUTOR DA IGREJA

(branco, pref. Comum, ou dos pastores, – ofício da memória)

I. Introdução

Os sábios refulgirão como o esplendor do firmamento; e os que ensinaram a muitos a justiça brilharão como estrelas para sempre (Dn 12,3).

Tomás nasceu em 1225 na Itália e lá faleceu em 1274. De família nobre, entrou na Ordem dos Dominicanos. Foi professor de teologia nas melhores universidades da época. Escreveu a Suma teológica, um compêndio com as mais belas expressões do seu ensinamento. Homem silencioso, humilde e de profunda vida espiritual, fez da ciência e do estudo o caminho de sua santificação. Recomendemos ao Senhor todos os estudantes e professores.

II. Comentário

Nos seus ensinamentos, Jesus gostava de comparar o “Reino (e a Palavra) de Deus” com uma semente. É o caso também no texto de hoje.

A semente não é apenas o que aparenta ser, é algo que traz, em si, vida. Isso se percebe quando a semente é posta na terra, ela germina e se desenvolve. Para isso, porém, necessita de tempo e condições.

A primeira parábola evidencia a fecundidade da semente e da terra, a planta cresce independentemente da vontade das pessoas. Assim é o Reino de Deus, em si mesmo contém vida, dinamismo, esperança. A segunda parábola acentua o contraste entre a semente (pequena) e a planta (grande).

A mostarda era uma espécie de praga, brotava em lugares não desejáveis, assim como o Reino de Deus floresce de maneira incômoda aos sistemas que se opõem a ele. O reino de Deus é visto como árvore que fornece sombra (acolhida e proteção) a todos os povos.

III. Atualização

Hoje, a mensagem de Jesus sobre o “Reino” ensina-nos a escassa importância que esta tem em relação ao poder temporal, a pesar de exercer uma “soberania” real e profunda nas almas. É como um grão de mostarda, a mais pequena de todas as sementes; é como a levadura, uma parte muito pequena em comparação com toda a massa mas determinante no resultado final.

É como a semente que se lança à terra e ali passa por diferentes sortes: é bicada pelos pássaros, afogada pelas silvas ou amadurece e dá muito fruto. Noutra parábola, a semente do reino cresce, mas um inimigo semeou, no meio dela, cizânia que cresceu junto com trigo e só no fim é apartada.

Está misteriosa “soberania de Deus” aparece também quando Jesus a compara a um tesouro enterrado no campo: quem o encontra vende tudo o que tem para poder comprar o campo e assim poder ficar com o tesouro.