quinta-feira, 4 de agosto de 2022

HOMÍLIA DA QUINTA-FEIRA DO 18° COMUM

I. INTRODUÇÃO

II. COMENTÁRIO

 Hoje Jesus proclama afortunado a Pedro pela sua acertada declaração de fé: «Simão Pedro respondeu: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo’. L

Jesus então declarou: ‘Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne e sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu’» (Mt

  16,16-17).

  Nesta saudação Jesus promete a Pedro o primado da sua Igreja; mas pouco depois faz-lhe uma reconvenção por lhe ter manifestado uma ideia demasiado humana e errada do Messias: «Então Pedro o chamou de lado e começou a censurá-lo: «Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isto nunca te aconteça!». Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: «Vai para trás de mim, satanás! Tu estás sendo para mim uma pedra de tropeço, pois não tens em mente as coisas de Deus, e sim, as dos homens!» (Mt 16,22-23).

Devemos agradecer aos evangelistas o fato de nos terem apresentado os primeiros discípulos de Jesus tal como eram: não como personagens idealizados, mas como gente de carne e osso, como nós, com as suas virtudes e os seus defeitos; esta circunstância aproxima-os de nós e ajuda-nos a ver que o aperfeiçoamento na vida cristã é um caminho que todos devemos fazer,

 pois ninguém nasce ensinado.

Dado que já sabemos como foi a história, aceitamos que Jesus Cristo tenha sido o Messias sofredor, profetizado por Isaías e tenha entregue a sua vida na cruz. O que mais nos custa aceitar é que tenhamos de manter presente a sua obra a través do mesmo caminho de entrega, renuncia e sacrifício.

Imbuídos como estamos numa sociedade que pugna pelo êxito rápido, por aprender sem esforço e de modo divertido, e por conseguir o máximo aproveitamento com o mínimo de trabalho, é fácil acabarmos vendo as coisas mais como os homens do que como Deus. Uma vez recebido o Espírito Santo, Pedro aprendeu por onde passava o caminho que devia seguir e viveu na

 esperança. «As tribulações do mundo estão cheias de penas e vazias de prémio; mas as que se padecem por Deus ficam suavizadas com a esperança de um prémio eterno» (Santo Efrén).

 III. ATUALIZAÇÃO

 • «Ninguém pode ter a Deus como Pai, se não tiver a Igreja como sua Mãe» (São Cipriano)


 • «Fé e seguir a Cristo estão intimamente relacionados. E uma vez que implica seguir o Mestre, a fé deve ser consolidada e crescer. Pedro e os outros apóstolos tiveram de percorrer esse caminho, até que o encontro com o Senhor Ressuscitado lhes abriu os olhos para uma fé plena» (Bento XVI)

• «Movidos pela graça do Espírito Santo e atraídos pelo Pai, nós cremos e confessamos a respeito de Jesus: `Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo ́ (Mt 16, 16). Foi sobre o rochedo desta fé, confessada por Pedro, que Cristo edificou a sua Igreja» (Catecismo da Igreja Católica, no 424



quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Homília da QUARTA-FEIRA da 18° COMUM

I. Introdução

Na primitiva comunidade cristã, havia uma classe de cristãos, provenientes do judaísmo, cuja tendência era não se abrir para os pagãos. Acreditavam ser os destinatários

II. Comentário

Foi preciso combater esta rigidez, apelando para a sensibilidade do Mestre em relação à fé dos pagãos. O episódio

     exclusivos da Boa Nova cristã.

Por conseguinte, os pagãos estariam excluídos do Reino anunciado por Jesus.

    da mulher cananeia prestou-se bem para esta finalidade.

A mulher pagã foi persistente no seu objetivo: a cura da filha atormentada por um demônio. Por isto, não se intimidou diante dos discípulos, nem de Jesus, até ver realizado o seu desejo.

Nem a má-vontade daqueles, nem a dureza das palavras do

 Mestre foram suficientemente fortes para fazê-la esmorecer. Os discípulos queriam ver-se livres daquela mulher

 importuna. Sua gritaria deixava-os irritados, a ponto de pedirem


 a Jesus que a mandasse embora. Não convinha que o pedido de uma mulher pagã fosse atendido por ele.

 III. Atualização

• Jesus, por sua vez, também deu mostras de relutar em atendê-la, até o ponto de usar o termo - cães -, com que os

 judeus costumavam chamar os pagãos.

• Mas, afinal, dobrou-se diante de uma fé evidente, tendo realizado o desejo da mulher pagã.

• Como Jesus, a comunidade cristã deveria deixar de ser inflexível em relação aos pagãos convertidos à fé, abrindo para eles as portas da comunidade.




terça-feira, 2 de agosto de 2022

HOMÍLIA DA TERÇA-FEIRA da 18ª SEMANA DO TEMPO COMUM

I. Introdução 

Meu Deus, vinde libertar-me, apressai-vos, Senhor, em socorrer-me. Vós sois o meu socorro e o meu libertador; Senhor, não tardeis mais (Sl 69,2.6).

Enquanto os seres humanos odeiam e destroem, Deus constrói e renova, agindo por amor. Para colaborar com a obra divina, temos de amar como Jesus Cristo, confiantes em seu auxílio sempre presente em nossa vida.

II. Comentário

São muitas as tormentas, que agitam o mar da vida dos seguidores de Jesus, lhes trazendo medo e pavor.

Porém, diante de todas elas, o Mestre se faz presença constante, aplacando todas as tempestades que querem levar seus discípulos ao desânimo e inconstância. 

Depois de se fazer profunda experiência de fé com o Mestre, é preciso passar para outra margem, ir ao encontro de quem mais precisa e mostrar que a força de Jesus é bem maior que as ventanias das injustiças e calamidades. 

A comunidade unida é sinal visível da vivência autêntica do Evangelho.

III. Atualização
• Este episódio é uma imagem maravilhosa da realidade da Igreja de todos os tempos: uma barca que, ao longo da travessia, deve enfrentar até ventos contrários e tempestades, que ameaçam virá-la. 
• O que a salva não são a coragem nem as qualidades dos seus homens: a garantia contra o naufrágio é a fé em Cristo e na sua palavra. 
• Esta é a garantia: a fé em Jesus e na sua palavra


segunda-feira, 1 de agosto de 2022

HOMÍLIA DA Segunda-feira da 18°comum

I. Introdução

II. Comentário

  Hoje, o Evangelho toca nossos "esquemas mentais"... Por isso, hoje, como nos

 tempos de Jesus, podem surgir as vozes dos prudentes para sopesar se vale a pena

 determinado assunto.

 Os discípulos, ao ver que se fazia tarde e, como não sabiam como atender

 àquelas pessoas reunidas em torno de Jesus, encontraram uma saída honrosa: «Que

 possam ir aos povoados comprar comida!» (Mt 14,15).

  Não podiam esperar que seu Mestre e Senhor contrariasse esse raciocínio,

 aparentemente tão prudente, dizendo-lhes: «Vós mesmos dai-lhes de comer!» (Mt

 14,16).

 Um ditado popular diz: «Aquele que deixa Deus fora de suas contas, não sabe

 contar». E é verdade, os discípulos —e nós também— não sabemos contar, porque nos

 esquecemos frequentemente, de acrescentar o elemento de maior importância na

 soma: Deus mesmo entre nós.

 Os discípulos fizeram bem as contas; contaram com exatidão o número de

 pães e peixes, mas ao dividi-los mentalmente entre tanta gente, eles obtinham

 sempre um zero periódico; por isso optaram pelo realismo prudente: «Só temos aqui

 cinco pães e dois peixes» (Mt 14,17). Não percebem que eles têm a Jesus —verdadeiro

 Deus e verdadeiro homem— entre eles!

 Parafraseando a São Josemaria, não nos seria mal recordar aqui que: «os

 empreendimentos de apostolado, está certo —é um dever— que consideres os teus

 meios terrenos (2 + 2 = 4). Mas não esqueças nunca! Que tens de contar, felizmente,

 com outra parcela: Deus + 2 + 2...». O otimismo cristão não é baseado na ausência de

 dificuldades, de resistências e de erros pessoais, mas em Deus que nos diz: «Eis que

 estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos» (Mt 28,20).

 III.

• •

Atualização

  Seria bom se você e eu, quando confrontados com as dificuldades, antes de

darmos uma sentença de morte à ousadia e ao otimismo do espírito cristão,

 contássemos com Deus.

  Tomara que possamos dizer como São Francisco, naquela oração genial:

«Onde houver ódio que eu leve o amor», isto é, onde as contas não baterem,

 que contemos com Deus.



 

quarta-feira, 6 de julho de 2022

Homília da QUARTA-FEIRA do 14° comum

I. Introdução

II. Comentário

  Diante da grande missão e de poucos trabalhadores, Jesus escolhe doze

 (simbolizando a totalidade dos enviados) apóstolos e os envia em missão.

 O Mestre capacita os discípulos para expulsar os espíritos impuros (resistência às

 mensagens opostas ao Reino de Deus propagadas pelas ideologias que dominam as pessoas)

 e curar as enfermidades (doenças que são o resultado dessas ideologias perversas).

 Hoje o Evangelho descreve a mais primitiva imagem da Igreja. Jesus Cristo,

 rodeado dos seus “seguidores”, acaba de escolher a 12 deles para que permaneçam

 com Ele e sejam “Apóstolos” (seus “enviados”). Os evangelistas consignam-nos

 exatamente seus nomes. Durante a Última Ceia, sendo testemunhas da instituição da

 Eucaristia, receberam o sacerdócio ministerial ao escutar as palavras “Fazei isto em

 minha memória”.

 A Igreja é o “novo” Povo de Deus: A comunidade dos batizados, preparada

 durante a Antiga Aliança e agora destinada a todos os homens. Igreja-comunhão,

 templo de Deus, sacramento (instrumento) de salvação para a humanidade. Pelo

 Batismo, todos nós os fiéis recebemos o chamado e a ajuda para sermos “filhos de

 Deus no Filho” Com este novo “status” todos somos “enviados” para sermos “ponte”

 entre os homens e Deus: Todos nós, participamos do denominado "sacerdócio

 batismal” e formamos um “povo sacerdotal”.

 III.

• •

Jesus, te pedimos mais vocações ao sacerdócio ministerial que cuidem do teu

 povo sacerdotal.

  Atualização

 Os doze formam o núcleo da comunidade de Jesus, comunidade fraterna, solidária e

 aberta para anunciar a Boa-nova a todos os povos, começando pelos mais próximos.

 Como se vê, o Mestre os envia a sair de si mesmos e de seus refúgios para ir em busca

 das ovelhas perdidas. O anúncio do Reino dos Céus próximo é sinal de resultados

 positivos no cumprimento da missão.

 Esta é a missão de todo cristão: libertar as pessoas de tudo o que as mantém

 prostradas e sem vida




segunda-feira, 20 de junho de 2022

Homília da SEGUNDA-FEIRA da 12a SEMANA COMUM

I. Introdução

O Senhor é a força de seu povo, fortaleza e salvação do seu ungido. Salvai, Senhor, vosso povo, abençoai vossa herança e governai para sempre os vossos servos (Sl

II. Comentário

     27,8s).

 Não faltou a voz insistente dos profetas pedindo que o povo voltasse para Deus. Em vão. A liturgia nos faz vigoroso convite para reconhecermos humildemente nossos erros e limitações.

   O ensinamento do Evangelho deste dia é algo válido para todos os tempos e todas as

 pessoas. Uma das primeiras tendências das pessoas em relação aos outros é lançar um olhar

 de dúvida e julgamento. O apelo de Jesus é claro: não julgar nem condenar.

 Não fomos criados para condenar, mas para amar: não somos juízes, mas irmãos e

 irmãs. Para mostrar a hipocrisia que, muitas vezes, há ao julgar, o Mestre usa as imagens do

 cisco e da trave, tão claras que todos podem compreender.

 O apelo do Evangelho é fazer uma autocrítica antes de criticar. Aqui não se trata tanto

 desses pequenos e inofensivos julgamentos que se fazem dia a dia, mas de julgamentos

 condenatórios. Quanto aos juízes, que têm a missão de julgar, espera-se que julguem com a

 justiça do Reino de Deus, segundo os critérios do Evangelho, e não conforme as

 conveniências.

III.

• •

 Atualização

 É útil ajudar o próximo com conselhos sábios, mas quando observamos

 e corrigimos os defeitos do nosso próximo, devemos estar cientes que

 também nós temos defeitos.

 Se penso que não os tenho, não posso condenar nem corrigir os

 outros. Todos temos defeitos: todos.

 Devemos estar cientes disto e, antes de condenar os outros, devemos

 olhar para dentro de nós mesmos. Assim podemos agir de modo

 credível, com humildade, testemunhando a caridade




terça-feira, 7 de junho de 2022

Homília da Terça-feira X SEMANA DO TEMPO COMUM

I. Introdução

O horizonte da responsabilidade dos discípulos deveria

  abarcar o mundo inteiro.

E, assim, impedi-los de deixar-se mover por preconceitos,

 fazer acepção de pessoas ou optar pela reclusão, num círculo fechado e exclusivo.

 II. Comentário

A responsabilidade diz respeito à missão de pregar ao mundo a Boa-Nova da salvação, testemunhando-a por meio de gestos concretos de caridade, de compromisso com a justiça e a igualdade, de empenho pela construção da paz e da

     reconciliação entre os povos.

Esta seria a melhor forma de manifestar a presença de Deus nas entranhas da história humana, de modo a preservá-la do erro e da corrupção.

A orientação recebida pelos discípulos não aponta para o

 proselitismo nem para o absolutismo do projeto de Jesus. No primeiro caso, a orientação mal-entendida poderia levar os cristãos a se lançarem numa guerra santa, para constranger

 toda a humanidade a optar pelo caminho cristão.


 No segundo caso, cair-se-ia no erro de eliminar tudo quanto fosse diferente, desconhecendo que os caminhos de Deus são incontáveis.

 III. Atualização

• As metáforas do sal e da luz apontam para um serviço

 humilde e despojado, conformado com a dinâmica do Reino de Deus, que não se impõe pela força.

• Antes, apela para a liberdade humana, e dela depende.

• A ação do sal e da luz deve ser percebida por sua qualidade. Caso contrário, um e outra serão inúteis