I. Introdução
Hoje, ambientados na “festa judia das Tendas”, comprovamos que o Evangelho de João toma seu ritmo do calendário de festas de Israel. Ao começo da atividade de Jesus encontramos a "Páscoa dos judeus", da qual se deriva o
tema o verdadeiro templo (em conexão com cruz e a ressurreição) (cf. 2,13-25).
A cura do paralítico —marco da primeira grande predicação pública de Jesus em Jerusalém—aparece relacionada com "uma festa dos judeus" (5,1), provavelmente a “festa das Semanas” (Pentecostes). A multiplicação dos pães (e a predicação eucarística do Evangelho de João) conecta com a festa da Páscoa (cf. 6,4). Finalmente, encontramos novamente a Jesus em Jerusalém na festa da Dedicação do Templo (cf. 10,22).
O caminho de Jesus culmina na sua última festa da Páscoa (cf. 12,1): ai, como verdadeiro cordeiro pascoal, derramará seu sangue na cruz. Sua oração sacerdotal desenvolve-se, justamente, a partir do conteúdo teológico da festa da Expiação
II. Comentário
A vida de Jesus estava toda colocada nas mãos do Pai. Com esta consciência, ele enfrentava os desafios do ministério, sem se deixar abater pelos mal-entendidos, pelas hostilidades evidentes ou veladas ou mesmo pela ameaça de morte que pairava sobre a sua cabeça. Sua coragem manifestava-se na maneira aberta com que proclamava sua doutrina, em plena
Jerusalém – no Templo –, mesmo sabendo que os judeus
buscavam matá-lo.
Importava-lhe unicamente manter-se fiel a quem o enviou, pois não tinha vindo por si mesmo, nem proclamava uma doutrina de sua autoria e propriedade. As hostilidades contra ele
provinham do desconhecimento do Pai. Logo, fruto da ignorância! Bastava que se abrissem para o Pai, para estarem em condições de compreender a veracidade do testemunho de Jesus.
A vida do Filho estava nas mãos do Pai. Isto impedia que os adversários assumissem o controle do destino de Jesus. Por isso, em vão, procuravam detê-lo e infligir-lhe a pena capital. "Sua hora ainda não chegara".
A coragem do Mestre serviu de exemplo para os discípulos, sobretudo nos momentos difíceis de seu ministério apostólico. Também a vida deles estava nas mãos do Pai. Sendo assim, nenhum inimigo, por pior que fosse, haveria de se transformar em senhor de seus destinos. Somente o Pai pode determinar a hora de cada um!
III. Atualização
• Jesus ainda está às voltas com os judeus que tentam matá-lo. Ao mesmo tempo que é cauteloso, Jesus mostra-se provocativo. Mais uma vez, Jesus diz quem é e em nome de quem realiza sua missão.
• Ao falar da sua identidade, Jesus mostra-se sem reservas; entretanto, os judeus não são capazes de reconhecê-lo, pois não conhecem aquele que o enviou, o Pai.
• Parte da atitude de Jesus é provocativa, pois, ao revelar-se, ele instiga seus opositores a mostrarem-se, ou seja, a apresentarem suas credenciais. Estamos
diante de um jogo de forças e interesses. Ao final, contudo, deve prevalecer a palavra que gera e promove a vida.

Nenhum comentário:
Postar um comentário