terça-feira, 16 de agosto de 2022

Homília da TERÇA-FEIRA do 20a SEMANA DO TEMPO COMUM

 (verde – ofício do dia)

Ó Deus, nosso protetor, volvei para nós o vosso olhar e contemplai a face do vosso ungido, porque um dia em vosso templo vale mais que outros mil (Sl 83,10s).

Quem se gloria das riquezas e do sucesso não passa de um ser orgulhoso e mortal.

 Aprendamos a assumir nossa condição humana com humildade e total confiança no Senhor, despojando-nos do que impede o serviço ao seu Reino.

II. Comentário

Deixar tudo e seguir Jesus não significa somente um seguimento geográfico, mas um seguimento radical, no qual mentalidade, palavras e atitudes estão em consonância com o Mestre.

O discípulo de Jesus sabe que a maior riqueza a se almejar é a profundidade interior. Os bens materiais são importantes. Podemos possuí-los. Eles, porém, jamais deveriam nos possuir.

O rico pode correr o perigo de se deixar dominar pelas posses. Santa Teresinha de Jesus costumava dizer da importância de ocupar o último lugar, porque ninguém briga por causa dele.

 O discípulo, sabendo que seu lugar é o dos últimos, não gastará energia e tempo com mania de grandeza.

III. Atualização

• será novo, renovado, belo. Jesus Cristo diz-nos: «Vós que deixastes tudo pelo Reino, vos sentareis

    com o Filho do Homem...

 • Recebereis cem vezes mais do que tiveres deixado...

• E herdareis a vida eterna...» (cf. Mt 19,28-29).



 

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Homília da SEGUNDA-FEIRA Do 20° COMUM

I. Introdução

  Mateus ilustra no jovem as pessoas que, em sua comunidade, querem se converter ao cristianismo. Elas já observam as leis, mas isso, segundo o evangelista, não é suficiente.

É preciso romper com tudo o que antes dava segurança. Isso é dito de forma simbólica. Quando alguém renunciava a seus bens, estes ficavam com sua família, mas Jesus pede que sejam dados aos pobres.

A comunidade de Mateus ensina que, quando um fiel da Antiga Aliança se torna cristão, precisa continuar a observar os mandamentos, mas deve romper com todo seu passado, isto é, também com sua família. Convém lembrar que a família é símbolo da tradição que vem desde Abraão. Convém lembrar ainda a conversão de Paulo, que já era um zeloso praticante da Lei, mas que, depois de aderir a Jesus, passou a considerar tudo aquilo lixo (Fl 3,7ss). Sua vida se transformou completamente. Portanto, o verdadeiro discípulo não é alguém fiel como do AT que apenas aderiu a Jesus. Muito mais do que isso, é alguém que rompeu com seu antigo mundo e colocou toda a sua segurança no evangelho

  II. Comentário

 Conhecer os mandamentos é importante. Mas é necessário bem mais. O jovem que se

 aproxima de Jesus é alguém cumpridor dos preceitos, uma pessoa de coração bom e de boas

 intenções. Contudo, ainda apegado às coisas efêmeras.

 Ele pode ser o retrato da comunidade, que, embora bem intencionada, ainda não se

 deu conta de que o seguimento a Jesus implica radicalidade, isto é, os bens são importantes;

 porém, o Bem maior é Jesus mesmo.

 Ele é a nossa segurança. O pensamento de Santo Óscar Romero é ilustrativo nesse

 sentido: “Quantos hão que não dizem ser cristãos, porque não têm fé. Têm mais fé no seu

 dinheiro e em suas coisas do que no Deus que criou tudo”.

 III Atualização

• A comunidade de Mateus ensina que, quando um fiel da Antiga Aliança se torna cristão, precisa continuar a observar os mandamentos, mas deve

 romper com todo seu passado, isto é, também com sua família. Convém

lembrar que a família é símbolo da tradição que vem desde Abraão.

• Convém lembrar ainda a conversão de Paulo, que já era um zeloso praticante da Lei, mas que, depois de aderir a Jesus, passou a considerar tudo aquilo lixo

(Fl 3,7ss). Sua vida se transformou completamente.

• Portanto, o verdadeiro discípulo não é alguém fiel como do AT que apenas

 aderiu a Jesus. Muito mais do que isso, é alguém que rompeu com seu antigo mundo e colocou toda a sua segurança no evangelho



 

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Homília da Sexta-feira da 19° Comum

 I.Introdução

Comentário

 Hoje, Jesus responde às perguntas dos seus contemporâneos sobre o

 verdadeiro significado do matrimônio, ressaltando a indissolubilidade do mesmo.

 Sua resposta, no entanto, também proporciona a base adequada para que nós,

 cristãos, possamos responder a aqueles cujos corações teimosos os obrigam a

 procurar a ampliação da definição de matrimônio para os casais homossexuais.

  Ao fazer retroceder o matrimônio ao plano original de Deus, Jesus ressalta

 quatro aspectos relevantes pelos quais só se pode unir em matrimônio a um

 homem e uma mulher:

 1) «O Criador, desde o início, os fez macho e fêmea» (Mt 19,4). Jesus nos ensina

 que, no plano divino, a masculinidade e a feminilidade têm um grande significado.

 Ignorar, pois, é ignorar o que somos.

 2) «Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher» (Mt

 19,5). No plano de Deus não é que o homem abandone os seus pais e vá embora

 com quem ele queira, mas sim com uma esposa.

 3) «De maneira que já não são dois, e sim uma só carne» (Mt 19,6). Esta união

 corporal vai mais além da pouco duradoura união física que ocorre no ato

 conjugal. Refere-se à união duradoura que se apresenta quando um homem e uma

 mulher, através do seu amor, concebem uma nova vida que é o matrimônio

 perdurável ou união dos seus corpos. Logicamente, que um homem com outro

 homem, ou uma mulher com outra mulher, não pode ser considerado um único

 corpo dessa maneira.

 4) «Pois o que Deus uniu, o homem não separe» (Mt 19,6). Deus mesmo uniu em

 matrimônio ao homem e à mulher e, sempre que tentamos separar o que Ele uniu,

 estaremos fazendo por nossa própria conta e por conta da sociedade.

  III.

Atualização

 Em sua catequese sobre Gênesis, o Papa João Paulo II disse: «Em sua

resposta aos fariseus, Jesus Cristo comenta aos interlocutores a visão total

 do homem, sem o qual não é possível oferecer uma resposta adequada às

 perguntas relacionadas com o matrimônio».

  Cada um de nós está chamado a ser o eco desta Palavra de Deus em nosso

momento


 

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

HOMÍLIA DA QUARTA-FEIRA - SÃO LOURENÇO DIÁCONO E MÁRTIR.


 vermelho, glória, pref. dos mártires, – ofício da festa) O. Introdução

São Lourenço entregou-se a si mesmo ao serviço da Igreja. Foi digno de sofrer o martírio e de subir com alegria para junto do Senhor Jesus.

 Lourenço nasceu na Itália no século 3o e lá faleceu em 258. Dizia que os pobres eram os verdadeiros tesouros da Igreja. Entre eles distribuiu os bens da comunidade, antes de ser arrastado para o cruel martírio sobre grelha incandescente. Seu nome é lembrado na 1a Oração Eucarística, o Cânon Romano. Busquemos nesse que é o padroeiro dos diáconos as forças necessárias para enfrentar as adversidades do .

II. Comentário

 Lourenço é um dos mártires mais conhecidos e venerados, já desde os primeiros

 séculos. Encarregado de cuidar dos bens da Igreja, repartiu-os entre os pobres, já que

 pressentia prisão iminente.

 Aprisionado junto com o papa Sisto II, não sofreu de imediato o martírio, mas

 suportou corajosamente atrozes dores na grelha incandescente. Alguns escritos permitem

 introduzir aqui um gracejo de Lourenço.

 No meio de tormentos, ele teria dito ao carrasco: “Vira-me, pois deste lado já estou

 bem assado”. Entretanto, a maioria dos escritores modernos julga que Lourenço tenha sido

 decapitado como o papa Sisto II, martirizado três dias antes. Morreu em 258 e foi sepultado

 no Campo Verano, na Via Tiburtina (Roma), onde Constantino edificou a basílica que tem o

 seu nome.

 III. Atualização

 Hoje, são Lourenço, diácono e mártir, emerge como um expoente da ação

caritativa vivida pela Igreja desde suas origens. A Ele, como responsável da

 assistência aos pobres de Roma, depois de serem apressados seus

 companheiros e o Papa Sixto, foi lhe concedido um tempo para recolher os

 tesouros da Igreja e entregá-los às autoridades. Lourenço distribuiu o dinheiro

 disponível aos pobres e depois os apresentou às autoridades como

 verdadeiros tesouros da Igreja.

  A Igreja não é uma ONG. Sua atividade caritativa deve fundar-se,

principalmente, sobre a experiência de um encontro pessoal com Cristo, cujo

 amor tocou o coração do crente, suscitando nele o amor pelo próximo. São

 Lourenço continuou esta senda até as últimas consequências, aceitando

 livremente o martírio, numa prova suprema de fé e caridade.

 

 Senhor, por intercessão de são Lourenço te pedimos que inflames nosso

coração para ser capazes de amar como tu nos tem amado, levando por todos

 a cruz de cada dia



terça-feira, 9 de agosto de 2022

Homília da TERÇA-FEIRA do 19° COMUM

I. Introdução

II. Comentário

 Hoje, o Evangelho volta a nos revelar o coração de Deus que nos faz entender com que sentimentos atua o Pai do céu em relação a seus filhos.

A solicitude mais fervorosa é para com os pequenos, aqueles com os quais não se presta atenção, aqueles que não chegam aonde todo mundo

  chega.

  Sabíamos que o Pai, como bom Pai que é, tem predileção pelos filhos pequenos, mas hoje, nos damos conta de outro desejo do Pai, que se converte em obrigação para nós: «Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus» (Mt 18,3).

Portanto, entendemos que o Pai não valoriza tanto o “ser pequeno”, mas o “fazer-se pequeno”. «Quem se faz pequeno (...), esse é o maior no Reino dos Céus» (Mt 18,4). Por isso, devemos entender nossa responsabilidade nesta ação de nos diminuirmos.

Não se trata tanto de ter sido criado pequeno ou simples, limitado ou com mais ou menos capacidade, mas de saber prescindir da possível grandeza

 de cada um, para nos mantermos no nível dos mais humildes e simples.

A verdadeira importância de cada um está em nos assemelharmos a um destes pequenos que Jesus mesmo nos apresenta com cara e olhos.

Para terminar, o Evangelho ainda nos amplia a lição de hoje. Há, e muito perto de nós!, uns “pequenos” que estão mais abandonados do que os outros: aqueles que são como ovelhas que se desgarraram; e o Pai as busca e, quando as encontra, se alegra porque as faz voltar para casa e já não se perdem.

Talvez, se contemplássemos a quem nos rodeia como ovelhas procuradas pelo Pai e devolvidas, mais do que desgarradas, seriam capazes de ver, mais frequentemente, e mais de perto, o rosto de Deus. Como diz Santo

 Asterio de Amasea: «A parábola da ovelha perdida e do pastor nos ensina que não devemos desconfiar precipitadamente dos homens, nem desistir de ajudar aos que se encontram em risco».

 III. Atualização

 • «Sou uma alma muito pequenina que apenas pode oferecer a Deus pequenas coisas» (Santa Teresinha de Lisieux)


 • «Em que consiste exatamente, ser-se criança? No sentido de Jesus Cristo, significa aprender a dizer “Pai”. Só se conservar a existência filial vivida por Jesus, o homem poderá entrar com o Filho na divindade» (Bento XVI)

• «Jesus lembrou-o ao terminar a parábola da ovelha perdida: «Assim, não é da vontade do meu Pai, que está nos céus, que se perca um só destes pequeninos» (Mt 18, 14) (...)» (Catecismo da Igreja Católica, no 605)




segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Homilia da Segunda-feira da 19• do tempo comum.

 Meu irmão e minha irmã, o Evangelho de hoje apresenta um questionamento que foi levantado a respeito de Jesus: se Ele paga ou não paga o imposto. E Jesus apresentou então este questionamento a Pedro, porque Ele ouviu a conversa, não é?

“Os reis da terra cobram impostos e taxas de quem: dos filhos ou dos estranhos?”, e Pedro respondeu: “Olha, deve ser dos estranhos, não é? Porque não fica bem cobrar dos filhos”. Pois é, Jesus não era um estranho, Ele era um filho da Terra, e, mesmo assim, Ele quis se submeteu a pagar o imposto. Com isso, meus irmãos, Nosso Senhor está dizendo, sim, que nós entramos nas regras da nossa sociedade, que é também um dever nosso como cidadãos pagar os impostos. Nem o Filho do Homem passou pelo abono por ser Filho de Deus, e por ser Filho daquela terra, Ele precisou também pagar.

Meus irmãos, hoje, é claro: a nossa sociedade, muitas vezes, se revolta, e com razão, diante de tanta incredulidade que há, por conta dos impostos que não são revertidos de maneira correta e tudo mais.

Jesus não quis se esquivar de pagar o imposto – Ele poderia ter feito isso –, mas Ele quis também participar, também crendo que aquele dinheiro, aquilo que foi arrecadado, seria revertido para o que é correto, para o que é certo.

Que o mundo, ao ver o nosso testemunho, também possa realizar aquilo que é correto

Hoje, peçamos a Deus que também os nossos governantes possam investir e realizar os trabalhos que precisam realizar de maneira coerente, de maneira honesta. A nossa parte, enquanto cristãos, enquanto religiosos, façamos como Jesus. Vamos, sim, devolver. Vamos, sim, pagar as taxas, os impostos, não é?

É claro que é possível recorrer a certas taxas abusivas e tudo mais, mas façamos isso com o intuito de fazer a sociedade melhorar, de dar a nossa contribuição, de dar o nosso testemunho para este mundo. E que o mundo, ao ver o nosso testemunho, também possa realizar aquilo que é correto.

Que a nossa vida honesta seja um testemunho para que haja também honestidade na vida do outro. Se, por acaso, você está vivendo a corrupção ou está na corrupção, vamos dar um bom testemunho para aqueles que acreditam, para aqueles que não acreditam. Que eles se sintam contagiados também a viver o bem, a fazer o bem e, com a graça d’Ele, chegar ao Céu pelo meu, pelo seu testemunho.

Abençoe-vos o Deus Todo-poderoso. Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!





sábado, 6 de agosto de 2022

Homília da transfiguração do Senhor.

I. Introdução

II. Comentário

   que mais nos interessa é contemplar a reação espontânea dos “interlocutores

 terrestres” dessa cena.

 Uma vez mais, é Simão Pedro que toma a palavra: «Mestre, é bom ficarmos

 aqui» (Lc 9,33). É maravilhoso comprovar que, só por ver o Corpo de Cristo em estado

 glorioso, Pedro se sente plenamente feliz: não sente falta de mais nada.

  «Vamos fazer três tendas, uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias».

 A reação de Pedro mostra o dinamismo mais autêntico do amor: já não pensa na sua

 comodidade; ele quer manter aquela situação de profunda felicidade, procurando o

 bem dos outros (neste caso, interpretado de uma maneira muito humana: umas

 tendas!). É a manifestação mais clara do verdadeiro amor: sou feliz porque te faço

 feliz; sou feliz entregando-me à tua felicidade.

 Além disso, é muito revelador o facto de Simão reconhecer intuitivamente

 Moisés e Elias. Pedro, logicamente, tinha conhecimento da sua existência, mas nunca

 os tinha visto (tinham vivido séculos antes!) E, apesar disso, reconhece-os

 imediatamente (como se os tivesse conhecido desde sempre).

 Eis aí uma amostra do elevado grau de conhecimento do homem no Céu: ao

 contemplar Deus “face a face”, experimentará um incremento inimaginável do seu

 saber (uma participação muito mais profunda na Verdade). Finalmente, «a

 “divinização” no outro mundo trará ao espírito humano uma tal “gama de

 experiências” da verdade e do amor, que o homem nunca teria podido alcançar na

 vida terrena» (S. João Paulo II).

 III.

• •

Hoje, meditando na Transfiguração, intuímos a situação do homem no Céu. O

Atualização

  Finalmente, Simão, só por ver Moisés e Elias, não somente os conhece de

repente, como também os ama imediatamente (pensa em fazer uma tenda

 para cada um deles).

  São Pedro, Papa (o primeiro da Igreja), mas pescador, expressa este amor de

uma maneira simples; Sta. Teresa, freira, mas Doutora (da Igreja) expressou a

 lógica do amor de maneira profunda: «O contentamento de contentar o outro

 excede o meu contentamento.