sexta-feira, 6 de maio de 2022

HOMÍLIA DA SEXTA-FEIRA DA 3° DA PÁSCOA

I. Introdução

II. Comentário

O ensinamento de Jesus quanto a comer sua carne e beber seu sangue foi de difícil entendimento, tanto para seus

  Em Jesus, na sua “carne” — ou seja, na sua humanidade concreta —

 está presente todo o amor de Deus, que é o Espírito Santo.

 Quem se deixa atrair por este amor caminha rumo a Jesus, vai com fé

 e d’Ele recebe a vida, a vida eterna.

    discípulos quanto para seus adversários.

O perigo principal consistiu em tomar as suas palavras em sentido puramente material, numa evidente deturpação do seu real significado.

Acostumadas a celebrar a Eucaristia, as comunidades cristãs interpretavam as palavras do Mestre num contexto de fé,

 entendendo-as no sentido espiritual de comunhão com Jesus, simbolizado no pão e no vinho consagrados.

Os verbos comer e beber apontam para a experiência de assimilação de Jesus – sua pessoa e seu projeto de vida – por parte dos discípulos.

 Assim como o alimento e a bebida, ao serem ingeridos, passam a fazer parte do corpo físico de quem os consumiu, o mesmo deve acontecer com quem adere a Jesus.

 Toda a existência do discípulo tende a ficar permeada pelo Senhor, com o qual entrou em comunhão.


 III. Atualização

• Os vocábulos carne e sangue indicam a totalidade do ser humano.

• Receber o corpo e o sangue do Senhor significa entrar em comunhão com tudo quanto ele é - sua humanidade e sua

 divindade - de forma que todo o ser do discípulo se deixe tomar por ele.

• É assim que o discípulo se alimenta em sua caminhada de encontro com o Pai. E assim alimentado, jamais desfalecerá pelo caminho.



quinta-feira, 5 de maio de 2022

HOMÍLIA da QUINTA-FEIRA da 3a SEMANA DA PÁSCOA

I. Introdução

Cantemos ao Senhor, ele se cobriu de glória. O Senhor é a minha força e o meu

II. Comentário

Hoje, as palavras de Jesus revelam como nos podemos “alimentar” de Deus e viver Dele: Deus torna-se “pão” para nós, especialmente, na encarnação do Logos (a Imagem de Deus, o Filho de Deus). A Palavra fez-se Carne! O Logos

     cântico: foi para mim a salvação, aleluia! (Ex 15,1s)

 O que Deus quer e espera de todos nós é que sejamos discípulos e discípulas de seu Filho, cultivando no coração o desejo de ouvir e viver sua Palavra, multiplicando- a e divulgando-a em todas as circunstâncias.

     fez-se um de nós e entra assim no nosso âmbito, naquilo que nos é acessível.

Mas, para lá de encarnação da Palavra, ainda é necessário mais um passo que Jesus menciona nas palavras finais do seu sermão: a sua carne é

 vida “para” o mundo (cf. 6,51). Desta forma, alude-se para lá da encarnação, ao objeto interior e à sua última realização: a entrega que Jesus fez de si mesmo até à morte e o mistério da Cruz.

Jesus fez-se homem para se entregar e ocupar o lugar do sacrifício dos animais, que apenas poderiam ser os gestos de um anseio, mas não uma resposta. Em definitiva, o Pão contém o mistério da paixão.

 III. Atualização

 • Hoje, à nossa volta, há muitas propostas de salvação e de vida plena. Essas propostas podem estar no âmbito de alguma religião ou não.

• Muitas vezes, o ser humano é seduzido e apresentado a muitos caminhos que lhe garantem uma vida segura, plena e totalmente realizada. Entretanto,

 somente em Jesus podemos encontrar tudo aquilo de que necessitamos para que sejamos pessoas realizadas.


 • Jesus não nos promete uma vida fácil, mas uma vida autêntica e coerente. O que Jesus faz e propõe está em íntima sintonia com o Pai e, por isso, nada do que Jesus faz tem caráter individualista, mas apresenta-se como fruto de comunhão perfeita. A partir de suas palavras e dos seus ensinamentos, Jesus

 se torna exemplo a ser seguido.





quarta-feira, 4 de maio de 2022

HOMÍLIA da Quarta-feira da 3° da Páscoa

I. Introdução

II. Comentário

Ao afirmar ser o pão da vida, Jesus estava evocando um fato importante da história de Israel, o êxodo do Egito e a longa travessia pelo deserto, onde o povo, faminto e sedento, foi saciado pela Providência divina. Aliás, jamais o povo viu-se privado de pão e água, naquela circunstância delicada de sua

 Jesus continua instruindo a multidão e afirma que ele é o pão da vida. Acreditar em

 Jesus é garantir a vida eterna e a certeza da ressurreição.

 Dito dessa forma, tudo parece muito fácil; contudo, o caminho proposto por Jesus,

 como já mencionado anteriormente, exige de nós fé que amadurece à medida que

 caminhamos.

       história, pois Deus caminhava com ele.

Da mesma forma, a Providência divina jamais deixou de agir em favor da humanidade. Sua bondade manifestou-se, de

 forma grandiosa, ao saciar, definitivamente, a fome e a sede da humanidade, por meio de seu Filho Jesus. Quem dele se acerca, não terá mais fome nem sede. Antes, poderá estar certo de ter forças para alcançar à meta da caminhada.

A evocação do êxodo oferece uma perspectiva particular para considerar quem, na fé, adere ao Ressuscitado. O cristão

 faz parte do verdadeiro povo de Deus, a caminho para a casa do Pai. É o êxodo definitivo, durante o qual defronta-se com toda sorte de desafios, correndo o risco de não perseverar até o fim.


 Sabendo-se saciado pelo alimento celeste - Jesus -, o cristão recobra as forças, e não se deixa abater pelos reveses da vida.

A Eucaristia sacramentaliza esta experiência de fé. Alimentando-se com o pão eucarístico os cristãos revigoram

 sua fé no Senhor ressuscitado.

É o alimento verdadeiro. Engana-se quem imagina poder enfrentar o deserto do mundo, sem contar com ele.

III.

• • •

 Atualização

 Ao falar para a multidão sobre o pão, Jesus está falando sobre algo conhecido de

 todos, uma realidade básica e bastante compreensível.

 A partir daquilo que a multidão conhece, Jesus acrescenta novas camadas, pois ele

 mesmo se intitula o “pão da vida”.

 Jesus é, portanto, aquele que garante não somente os bens dessa existência, mas

 também da eternidade. Não se trata aqui de magia ou algo do gênero, mas de vida

 orientada segundo o projeto de Deus.

 Esse caminho proposto por Jesus será plenamente vivenciado por nós, se for

 plenamente compreendido.




terça-feira, 3 de maio de 2022

HOMÍLIA da Terça-feira da 3° Semana da Páscoa

I. Introdução

  pouco, mas é Ele que “age” na Igreja, e é a oração que leva a Igreja em

 frente.

 A oração em primeiro lugar. Depois, as outras coisas. Mas quando as

 outras coisas tiram espaço à oração, algo não funciona. E a oração é forte.

 Jesus disse: “Vou para junto do Pai. E tudo o que pedirdes ao Pai em

 meu nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado”. É assim que a Igreja

 vai em frente, com a oração, a coragem da oração.

 II. Comentário

Hoje, diante da petição de Filipe de mostrar-nos ao Pai, Jesus Cristo responde

 desde uma dupla perspectiva: Quem viu a Jesus, viu ao Pai (aspecto interpessoal); e

 acrescenta que o Pai realiza as obras que faz o Filho (aspecto inter operativo).

 Resumidamente: O ser e o obrar do Pai é o ser e o obrar de Jesus e, vice-versa.

 Esta mensagem continua em sentido descendente, se ampliando até abarcar

 o âmbito humano, em uma dupla direção: Ativa e orante. Ativa: Quem acredite em

 Jesus, fará também suas obras. Orante: Tudo o que peçamos em seu nome, Ele o fará.

 A primeira direção destaca a fé (“quem crê em mim”); a segunda destaca o obrar

 divino (“As obras que eu faço”).

 III.

• •

O Espírito Santo nos ensina que é Deus quem “age”. Nós fazemos um

 Senhor Jesus, introduz-nos nesta infinita relação que, em quanto terminal, és

 Tu, e, em quanto originador, és tu Pai! E faz que, balançados por ela, no Espírito Santo,

 todos os homens sejamos genuinamente “nós”, sendo precisamente os uns para os

 outros.

 Atualização

  Hoje, o Evangelho refere aqueles colóquios íntimos de Jesus com os Apóstolos,

em que Ele lhes ia revelando a sua pessoa e a sua missão.

  Respondendo a Filipe, Jesus abre totalmente o seu Coração: Jesus Cristo está

no Pai e o Pai está em Jesus Cristo. Assim é Deus! Chegamos ao Pai através do

 seu Filho. Segue-O e vais encontrar-te dentro da Santíssima

 Trindade!

  É famosa uma frase de São Tiago, apóstolo: «Uma fé sem obras é uma fé

morta». Portanto: segue-O, mas segue-O de verdade, com obras.



 

segunda-feira, 2 de maio de 2022

HOMÍLIA da segunda-feira da 3° semana da Páscoa.

 I. Introdução

 Anuncia-lhes que o que sacia o homem é um alimento espiritual que nos permite viver eternamente (cf. Jo 6,27). Deus é o que dá esse alimento, o dá através de seu Filho. Tudo o que faz crescer a fé Nele é um alimento ao que temos que dedicar todas nossas energias.

  Então compreendemos porque o Papa nos anima a esforçar-nos para ré evangelizar nosso mundo que frequentemente não acode a Deus pelos bons motivos. Na constituição “Gaudium et Spes” (A Igreja no mundo atual”) os Padres do Concílio Vaticano II nos lembra: “só Deus, a quem Ela serve, satisfaz os desejos mais profundos do coração humano, que nunca se sacia plenamente só com alimentos terrestres".

E nós, por que ainda seguimos Jesus? O que é o que nos proporciona a Igreja? Lembremos o que disse o Concílio Vaticano II! Estamos convencidos do bem-estar que nos proporciona este alimento que podemos dar ao mundo?

II . Comentário

«A Sagrada Comunhão é para nós uma prenda eterna, de tal forma que nos assegura o céu; estes são os depósitos que o céu nos envia como garantia de que um dia será a nossa casa» (São Joao Ma Vianney)

«O pão milagrosamente multiplicado lembra-nos o milagre do maná no deserto e, indo além dele, assinala ao mesmo tempo que o verdadeiro alimento do homem é o Verbo eterno, o sentido eterno de onde viemos e na expectativa de que vivemos» (Bento XVI)

«Jesus não revela plenamente o Espírito Santo enquanto Ele próprio não for glorificado pela sua Morte e Ressurreição. No entanto, sugere-o pouco a pouco, mesmo no seu ensino às multidões, quando revela que a sua carne será alimento para a vida do mundo» (Catecismo da Igreja Católica, no 728).

  II. Atualização

• Hoje contemplamos os resultados da multiplicação dos pães,

  resultados que surpreenderam a toda aquela multidão. Eles desceram da montanha, ao dia seguinte, até beira do lago, e ficaram ali vendo Cafarnaúm.

• Ficaram ali porque não havia nenhum barco. De fato, só havia um:

 aquele que na tarde anterior havia partido sem levar Jesus.

• A pergunta é: Onde está Jesus? Os discípulos partiram sem Jesus, e, sem dúvida, Jesus não está lá. Onde está então? Felizmente, as pessoas


 podem subir nas barcas que vão chegando, e zarpam em busca do Senhor a Cafarnaúm.




domingo, 1 de maio de 2022

HOMÍLIA DO DOMINGO do 3o DA PÁSCOA

(branco, glória, creio – 3a semana do saltério) I. Introdução

Aclamai a Deus, toda a terra, cantai a glória de seu nome, rendei-lhe glória e

     louvor, aleluia! (Sl 65,1s).

 Em comunhão com a Igreja celeste, somos reunidos pelo Espírito em torno do Cordeiro imolado, que vive para sempre.

A ele glorifiquemos e demos graças, pois nos alimenta com a Palavra proclamada e o Pão partilhado.

Desafiados a responder à pergunta “vocês me amam?”, queremos nos dispor a seguir o Senhor como testemunhas da ressurreição.

 II. Comentário

Segundo os estudiosos, o capítulo 21 do Evangelho de João é um acréscimo posterior. Não podemos tomar este texto (e outros) como uma crônica

 jornalística.

O autor quer informar sobre a experiência que os apóstolos fizeram do Ressuscitado. O texto de hoje é claramente dividido em duas partes: a pesca abundante e a missão de Pedro.

O relato da pesca pode demonstrar a crise que a comunidade está passando: pesca infrutífera numa noite.

Com o amanhecer de um novo dia (alusão à nova realidade a partir da ressurreição de Jesus), os apóstolos descobrem a presença de Jesus e, a seu

 mando, conseguem grande pesca. Sem a presença do Ressuscitado, a missão da Igreja pode estar destinada ao fracasso.

O fruto da missão depende da presença e da adesão à palavra de Jesus, que

 os convida a jogar a rede. Como para os discípulos, para nós também nem sempre é fácil perceber a nova realidade da presença do Ressuscitado.


 III. Atualização

 • A partir da percepção da sua presença, nossa vida terá sentido e nossa

 missão dará resultados.

• Para conhecer e seguir fielmente o Mestre e conduzir a comunidade, é indispensável o amor.

• A pergunta a Pedro – você me ama? – hoje é dirigida a cada um de nós. O

 amor é o que nos identifica como cristãos.



 

sábado, 30 de abril de 2022

Homília do Sábado da 2° semana da Páscoa

Quando Cristo diz "não julgue", não está proibindo o exercício de nossa capacidade de discernimento, nem está dizendo que devemos aprovar tudo o que nosso irmão faz. O que Ele proíbe é atribuir uma má intenção à pessoa que age dessa maneira. Só Deus sabe o que está no coração de uma pessoa. "O homem olha às aparências, o Senhor vê o coração" (1Sm 16:7). Portanto, julgar é uma prerrogativa de Deus, uma prerrogativa que usurpamos quando julgamos nosso irmão.

 O importante no Cristianismo é o amor: "Assim como eu vos amei, amem-se uns aos outros" (Jo 13,34). Este amor é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (cf. Rm 5,5). Na Eucaristia, Cristo nos dá o Seu Coração como dom e assim podemos amar cada um com o Seu Coração e ser misericordiosos como o Pai Celestial é misericordioso.

Comentário

«Jesus preferiu proclamar-se e manifestar-se como Cristo com suas ações, e não com suas palavras» (Origens)

«Entre a multiplicação dos pães e o discurso eucarístico na Sinagoga de Cafarnaum, decorre a cena de Jesus Cristo caminhando sobre as águas. Um evento oportuno para introduzir a comparação entre Moisés e Jesus. O primeiro — pelo poder de Deus — dividiu as águas do mar para atravessá-lo pisando em

 terra; Jesus simplesmente caminha sobre eles. Ele é o “Eu sou”» (Bento XVI)

«Orar é sempre possível: O tempo do cristão é o de Cristo Ressuscitado, que está «conosco todos os dias» (Mt 28, 20), sejam quais forem as tempestades (31). O nosso tempo está na mão de Deus» (Catecismo da Igreja Católica, no 2.743)

III. Atualização

 • Hoje, Jesus nos desconcerta. Acostumávamos-nos a um Redentor que, disposto a atender todo tipo de indigência humana, não duvidava em

 recorrer ao seu poder divino. De fato, a ação transcorre justo após a multiplicação dos pães e peixes, a favor da multidão faminta. Agora, ao contrário, nos perturba um milagre —o fato de andar sobre as águas— que parece, à primeira vista, uma ação de cara à galeria. Mas não!, Jesus já descartara fazer uso do seu poder divino para buscar sobressair ou o benefício próprio quando, ao inicio da sua missão, rejeitou as tentações

  do Maligno.


 • Ao andar sobre as águas, Jesus Cristo está mostrando seu senhorio sobre as coisas criadas. Mas também podemos ver uma encenação do seu domínio sobre o Maligno, representado por um mar embravecido na escuridão.

• «Não tenhais medo» (Jo 6,20), dizia-lhes Jesus naquela ocasião. «Mas tende coragem! eu venci o mundo» (Jo 16,33), lhes dirá depois, no Cenáculo. Finalmente, é Jesus quem diz às mulheres na manhã da Páscoa, depois de se levantar do sepulcro: «Não tenhais medo». Nós, pelo testemunho dos Apóstolos, sabemos de sua vitória sobre os

inimigos do homem, o pecado e a morte. Por isso, hoje, suas palavras ressoam em nossos corações com força especial, porque são as palavras de Alguém que está vivo.

• As mesmas palavras que Jesus dirigia a Pedro e aos Apóstolos, as repetia João Paulo II, sucessor de Pedro, ao início do seu pontificado: «Não tenhais medo». Era um chamado para abrir o coração, a própria existência, ao Redentor, para que, com Ele, não temamos diante dos embates dos inimigos de Cristo.

• Diante à própria fragilidade para levar a bom porto as missões que o Senhor nos pede (uma vocação, um projeto apostólico, um serviço...), nos consola saber que Maria também —criatura como nós— ouviu as mesmas palavras de parte do anjo, antes de enfrentar a missão que o Senhor tinha-lhe encomendado. Aprendamos dela, acolher o convite de

Jesus a cada dia, em cada circunstância.