sexta-feira, 9 de julho de 2021

Homília da Sexta-feira da 14ª semana do Tempo Comum.

Homília da Sexta-feira da 14ª semana do Tempo Comum

 

I. Introdução

 

Hoje, Jesus anuncia aos seus o que sofrerão pelo fato de serem apóstolos. Não lhes dá perspectivas muito motivadoras: Juízos, açoites, ódio da própria família, persecuções, morte. Atitude dos apóstolos: Astúcia e inocência. 

Sua tarefa: Percorrer o mundo dando testemunho de Jesus, falando inspirados pelo Espírito Santo... fugindo quando seja necessário. O mais importante: Perseverar até o fim.

 

II. Comentário

 

Evangelho (Mt 10,16-23)

Hoje, o Senhor adianta-nos que o caminho do apóstolo não é um “caminho de rosas”. O exemplo e a palavra do apóstolo despertam as consciências. Mas o “comodista” e o “descarado” (que criticam a religião enquanto vivem de expedientes) costumam-se incomodar. As almas simples escutam e agradecem; outros, pelo contrário, reagem contra o apóstolo.

Se Jesus o sofreu, como não nos vai acontecer a nós? Portanto, prudentes para não provocar incêndios (evitar discussões); simples para apagar incêndios (a alegria que desarma). De qualquer modo, não vos preocupeis porque Jesus não caminha longe.

“Apóstolo” é um término grego que significa “enviado”, enviado por Jesus para anunciar sua mensagem. São doze os que Jesus escolheu. Para manter íntegro o Evangelho, a predicação apostólica conserva-se desde o início até o fim dos tempos, por uma sucessão interrompida. 

Esta transmissão viva a denominamos “tradição”: Predicação apostólica continuada na sucessão apostólica. Tradição e Escritura são as duas grandes fontes da fé.

Senhor, graças pelos apóstolos que fizeram que a fé chegasse até hoje e, porque nos envias a nós como parte desta “corrente” apostólica que anuncia o Evangelho.

 

 

 

 

III. Atualização

 

• O Evangelho remarca as dificuldades e as contradições que o cristão haverá de sofrer por causa de Cristo e do seu Evangelho e como deverá resistir e perseverar até o final. Jesus nos prometeu: Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos (Mt 28,20); mas não prometeu, aos seus, um caminho fácil, antes pelo contrário, lhes disse: Sereis odiados por todos, por causa do meu nome (Mt10,22).

 

• A Igreja e o mundo são duas realidades de “difícil” convivência. O mundo, que a Igreja há de converter a Jesus Cristo, não é uma realidade neutra, como se fosse uma cera virgem que só espera o selo que lhe dará forma. Isto só teria sido assim se não tivesse havido uma história de pecado entre a criação do homem e a sua redenção. O mundo, como estrutura afastada de Deus, obedece a outro senhor, que o Evangelho de São João denomina como o senhor deste mundo, o inimigo da alma, o que fez com que o cristão fizesse um juramento no dia de seu batismo de desobediência, de dizer não ao inimigo, para pertencer somente ao Senhor e à Mãe Igreja que ela engendrou em Jesus Cristo.

 

• Mas o batizado continua vivendo neste mundo e não em outro, não renuncia à cidadania deste mundo nem lhe nega sua honesta contribuição para mantê-lo e melhorá-lo; os deveres de cidadania cívica são também deveres dos cristãos; pagar os impostos é um dever de justiça para o cristão. Jesus disse que nós, seus seguidores, estamos no mundo, mas não somos do mundo (Jo 17,14-15). Não pertencemos ao mundo incondicionalmente, inteiramente, só pertencemos a Jesus Cristo e à sua Igreja, verdadeira pátria espiritual, que está aqui na terra e que transpassa a barreira do espaço e do tempo para desembarcar-nos na pátria definitiva que é o céu.

 

• Esta dupla cidadania inevitavelmente se choca com as forças do pecado e do domínio que move os mecanismos mundanos. Repassando a história da Igreja, Newman dizia que a perseguição é a marca da Igreja e talvez a mais duradoura de todas.



 

 

 

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Homília da Quinta-feira da 14ª semana do Tempo Comum


I. Introdução

 

Ao orientar seus apóstolos para a missão, Jesus destaca o que considera importante. Não lhes apresenta uma lista de coisas para levar; antes, os convida a partirem despojados e livres: sem dinheiro, sem sacola e só com a roupa indispensável. 

O objetivo é passar por toda parte anunciando que o Reino de Deus está próximo, isto é, já está presente. Procurem hospedar-se em casa de pessoas confiáveis. Sejam portadores da paz. Libertem as pessoas de tudo o que as oprime (demônios), ressuscitem os mortos e curem os enfermos. 

Jesus lhes dá a entender que encontrarão resistência, pois nem todos estão abertos ao projeto de Deus. Não devem, por cobiça, aproveitar-se do poder recebido, ao contrário, façam tudo gratuitamente, pois tudo é dom de Deus.

 

II. Comentário

Evangelho: Mateus 10,7-15

 

Hoje o Senhor envia-nos —como fez com os Apóstolos— a “proclamar” um anúncio que o mundo necessita escutar urgentemente: O Reino dos Céus está perto. Sim! É possível uma nova ordem mundial, mas só com a luz de Cristo. 

O Reino dos Céus já começou entre e dentre nós. E, de um modo misterioso —quer dizer, discreto, mas real introduz a “ordem de Deus” no mundo, fazendo-o mais "respirável.

Devemos afrontar com valentia uma situação cada vez mais variada dentro da globalização. É necessária uma “nova evangelização”, reavivando em nós o impulso e o ardor da predicação apostólica depois de Pentecostes.

Esta paixão suscitará na Igreja uma nova ação missioneira, que não poderá ser delegada a uns poucos “especialistas”. Não há “especialistas” do apostolado! Cada batizado é um apóstolo porque participa da missão sacerdotal (salvadora) de Cristo.

Deixemos que Jesus nos toque, pela força do Cristo de Hoje! E, quem encontrou verdadeiramente a Cristo não deve guardá-Lo só para si, deve anunciá-Lo (João Paulo II).

 

 

III. Atualização

 

• Hoje, até o imprevisível queremos prever. Hoje, se multiplicam os serviços a domicílio. E se hoje falamos tanto de paz, talvez seja porque temos muita necessidade dela. Hoje, o Evangelho nos fala exatamente desses vários “hoje”. Mas vamos por partes.

 

• Queremos prever até o imprevisível: em breve estaremos fazendo um seguro para o caso do nosso seguro falhar. Ou então quando comprarmos uma calça o vendedor nos vai oferecer um modelo com manchas ou com o desbotado já incluído! O Evangelho de hoje, com a sua proposta de irmos sem bagagem (Não leveis nem ouro nem prata...), nos convida à confiança e à disponibilidade. Mas nos alerta: isto não significa um descuido nem tampouco improviso. 

 

• Viver esta realidade só é possível quando nossa vida está enraizada no fundamental: na pessoa de Cristo. Como dizia o Papa João Paulo II, é necessário respeitar um princípio essencial da visão cristã de vida: a primazia da graça (...). Não se há de esquecer que, sem Cristo, nada podemos fazer (Jo 15,5).

 

• Também afirmamos que hoje proliferam os serviços a domicílio: não cozinhamos mais em casa, agora o arroz com feijão é feito para você, na sua casa, por outros. Isto é um exemplo de como a sociedade pretende se organizar prescindindo dos outros. Hoje Jesus nos diz: Ide; saí. Isto quer dizer, preocupe-se com quem está ao seu lado. Estejamos, portanto,atentos e abertos para as necessidades dos mais próximos.

 

• Férias! Uma paisagem tranquila... Serão sinônimos de paz? Talvez devêssemos duvidar disto. Às vezes é um descanso para as angústias interiores, que mais adiante voltarão a despertar. Nós cristãos sabemos que somos portadores de paz, e mais ainda, que está paz impregna todo nosso ser mesmo quando à nossa volta o ambiente seja hostil na medida em que seguirmos de perto a Jesus.


 

Pe. Edivânio José.

terça-feira, 6 de julho de 2021

Homília da Terça-feira da 14ª semana do Tempo Comum.


I. Introdução

Encontramos aqui várias expressões da atividade missionária de Jesus: ele cura um endemoninhado mudo e também “toda doença e toda enfermidade”; ensina nas sinagogas; prega o Evangelho nas cidades e vilarejos; enche-se de compaixão pelas multidões “angustiadas e abandonadas”; acolhe de bom grado as aclamações do povo; ouve a absurda acusação de que ele expulsa demônio com a força do chefe dos demônios. 

Um trabalho intenso que empenha Jesus por inteiro: a saúde, a inteligência, a habilidade para se comunicar e, em todas as circunstâncias, sua bondade e misericórdia derramadas copiosamente sobre as multidões que vivem “como ovelhas sem pastor”. 

Nada mais natural que Jesus sentir e expressar a necessidade e a urgência de outros trabalhadores para a colheita. Recomenda, ainda, que os peçamos ao Senhor.

 

II. Comentários

 

Evangelho (Mt 9,32-38)

 

Hoje, o Evangelho nos fala da cura de um endemoninhado mudo, que provoca diferentes reações nos fariseus e na multidão. Enquanto os fariseus, ante a evidência de um prodígio inegável, atribuem isso a poderes demoníacos É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios (Mt9,34), a multidão fica maravilhada: Nunca se viu coisa igual em Israel (Mt 9,33). São João Crisóstomo, comentando essa passagem, diz: O que verdadeiramente incomodava aos fariseus era que consideravam Jesus superior a todos, não somente aos que existiam então, mas a todos os que haviam existido anteriormente.

Jesus não se abala ante a aversão dos fariseus, Ele continua fiel à sua missão. Na verdade, Jesus, ante a evidência de que os guias de Israel, ao invés de guiar e instruir o rebanho, o estavam afastando do bom caminho, apiedou-se daquela multidão cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. 

Que as multidões desejam e agradeçam uma boa orientação ficou comprovado nas visitas pastorais do São João Paulo II a tantos países do mundo. Quantas multidões reunidas em volta dele! Como escutavam sua palavra, sobretudo os jovens! E o Papa não rebaixava o Evangelho, mas o pregava com todas as suas exigências.

III. Atualização

 

• Todos nós, se fôssemos consequentes com a nossa fé - nos diz São Josémaria Escrivã - se olhássemos à nossa volta e contemplássemos o espetáculo da História e do Mundo, não poderíamos senão deixar crescer nos nossos corações os mesmos sentimentos que animaram os de Jesus Cristo, o que nos conduziria a uma generosa tarefa apostólica. Mas é evidente a desproporção que existe entre o grande número de pessoas que esperam a pregação da Boa Nova e a escassez de operários. A solução Jesus nos dá ao final do Evangelho: Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita! (Mt9,38).

 

• Hoje até nos parece estranho falar sobre o "demônio". Ainda existe? O demônio existiu e não deixará de existir! Quem são os demônios? De onde eles saíram? Não são forças anônimas, e sim um "alguém": pessoas que, foram criadas por Deus para o bem, e foram "condenadas" eternamente por usar perversamente sua liberdade.

 

• Estar "condenado" é um eterno e lamentável estado pessoal onde a alma não encontra felicidade em nada, não gosta de nada, nem de ninguém, nem tampouco admite ser querido. É uma auto expulsão da capacidade de amar, é o vazio absoluto, no qual a pessoa vive em contradição consigo mesma e cuja existência constitui realmente um fracasso. Sendo Deus o Bem, pode Ele aceitar isto? Entendemos desde a perspectiva divina: sua infinita bondade respeita a liberdade do condenado, permitindo que continue existindo tal como ele escolheu existir.

 




 

Pe. Edivânio José.

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Homília da Segunda-feira da 14ª semana do Tempo Comum


I. Introdução

 

Perante o aparente ditado dos elementos do mundo (a morte inapelável, uma doença incurável) Jairo e a “hemorróissa” apresentam uma nova esperança: Jesus Cristo! Nesta cena inverte-se a concepção do mundo também hoje em auge que vê o divino nas forças cósmicas, mas não num Deus ao que se pode rezar.

A “última palavra” tem-na a razão, a vontade, o amor: uma Pessoa. E se conhecermos esta Pessoa, e ela a nós, então o poder inexorável dos elementos materiais já não é a última instância; já não somos escravos do universo e das suas leis, agora somos livres.

 

II. Comentário

 

Hoje, a Liturgia da Palavra nos convida a admirar duas magníficas manifestações de fé. Tão magníficas que comoveram o coração de Jesus Cristo e provocaram imediatamente a sua resposta. O Senhor não se deixa vencer em generosidade!

Minha filha faleceu agora mesmo; mas vem impor a mão sobre ela, e viverá (Mt 9,18). Quase poderíamos dizer que com uma fé consistente nós obrigamos a Deus. Ele gosta desta espécie de obrigação. O outro testemunho de fé do Evangelho de hoje também é impressionante: Se eu conseguir ao menos tocar no seu manto, ficarei curada (Mt9,21).

Poderíamos afirmar que Deus se deixa manipular de bom grado pela nossa boa-fé. O que Ele não admite é que O tentemos por desconfiança. Este foi o caso de Zacarias, que pediu uma prova ao Arcanjo Gabriel: Zacarias disse ao anjo: Como posso ter certeza disso? (Lc 1,18). O Arcanjo não cedeu à desconfiança de Zacarias e respondeu: Eu sou Gabriel, e estou sempre na presença de Deus (...). E agora, ficarás mudo, sem poder falar até o dia em que estas coisas acontecerem, já que não acreditaste nas minhas palavras, que se cumprirão no tempo certo (Lc 1,19-20). E assim aconteceu.

É Ele mesmo quem deseja “obrigar-se” conosco e deixar-se “prender” por nossa fé: Eu vos digo: pedi e vos será dado; procurai e encontrareis; batei e a porta vos será aberta (Lc 11,9). Ele é nosso Pai, e não quer negar nada do que convém aos seus filhos.Entretanto, é necessário que lhe manifestemos confiantemente os nossos pedidos. 

 

III. Atualização

 

• A confiança e a conaturalidade com Deus requerem intimidade: para confiar em alguém é preciso conhecê-lo, e para conhecê-lo é necessário conviver com ele. Assim, a fé faz brotar a oração, e a oração - enquanto brota - alcança a firmeza da fé (Santo Agostinho). Não nos esqueçamos do louvor que mereceu Santa Maria: Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!(Lc 1,45).

 

• Vamos com Jesus a casa de Jairo, onde a sua filha está muito doente, em perigo de morte. Pelo caminho acontece algo extraordinário… A mulher que sofria um fluxo de sangue! A sua grande fé e confiança no Salvador ajudou-a a superar os obstáculos…



 

 

Pe. Edivânio José.

 

domingo, 4 de julho de 2021

Homília da Solenidade de São Pedro eSão Paulo, Apóstolos.


I. Introdução

A Igreja celebra estes dois santos em conjunto. Foram mestres da fé, cada um deles com uma missão apostólica muito importante. São Pedro (“Petrus”) é a “rocha” sobre a qual Jesus Cristo edifica a sua Igreja; São Paulo foi eleito para levar o nome de Jesus ao mundo dos gentios (os não judeus).

Ambos receberam de Deus um tratamento “especial”. A Simão, filho de Jonas, Jesus mudou-lhe o nome (não o fez com os outros), rezou expressamente para que a sua fé não desfalecesse, reiterou-o na sua missão de confirmar os seus irmãos na doutrina. 

Saulo de Tarso foi eleito quando perseguia os cristãos: apareceu-lhe o Senhor ressuscitado (uns 5 anos depois da Ascensão), apresentando-se-lhe como “Jesus, a quem tu persegues”. Viajou incansavelmente para pregar o cristianismo. Deram ambos a vida pela fé, morrendo mártires em Roma.

 

II. Comentários

 

1ª Leitura: Atos 12,1-11

 

Pelos anos 41-44 da nossa era, reinava na Judeia Herodes Agripa, que moveu uma perseguição contra a Igreja. Foi por essa ocasião que Pedro foi preso, durante a páscoa hebraica, e teria a mesma sorte de Jesus, se Deus não tivesse intervindo com um milagre (vv. 1-4): um anjo libertou Pedro da morte certa. 

Tal fato deixou os cristãos espantados e admirados com a benevolência de Deus. No evento foi importante a oração da Igreja, compenetrada da importância única da missão de Pedro. Mais tarde, também S. Paulo recuperará, de modo idêntico, a sua liberdade (At 16, 25-34).

 

2ª Leitura: 2 Timóteo 4,6-8.17-18

 

Este texto apresenta-nos o que podemos chamar o testamento de Paulo. O Apóstolo pressente próxima a sua morte e dá-nos a conhecer o seu estado de espírito: sente-se só e abandonado pelos irmãos, mas não vítima, porque a sua consciência está tranquila e o Senhor está com ele. Guardou a fé e cumpriu a sua vocação missionária com fidelidade. 

Compara-se à libação derramada sobre as vítimas nos sacrifícios antigos. Quer morrer como viveu, isto é, como verdadeiro lutador, uma vez que se entregou a Deus e aos irmãos. A vitória é certa! As suas palavras são já um cântico de vitória, porque está próximo o seu encontro com Cristo Ressuscitado.

 

3ª Evangelho: Mateus 16,13-19

 

Hoje, celebramos a solenidade de São Pedro e São Paulo, que foram fundamentos da Igreja primitiva e, portanto, da nossa fé cristã. Apóstolos do Senhor, testemunhas da primeira hora, viveram aqueles momentos iniciais de expansão da Igreja e selaram com o seu sangue a fidelidade a Jesus. Oxalá nós, cristãos do séc. XXI, saibamos ser testemunhas credíveis do amor de Deus no meio dos homens, tal como o foram estes dois Apóstolos e como têm sido tantos e tantos dos nossos conterrâneos.

Numa das suas primeiras intervenções, o Papa Francisco, dirigindo-se aos cardeais, disse-lhes que temos de caminhar, edificar e confessar. Ou seja, temos de avançar no nosso caminho da vida, edificando a Igreja e confessando o Senhor. O Papa advertiu: Podemos caminhar tanto quanto quisermos, podemos edificar muitas coisas, mas se não confessamos Jesus Cristo, alguma coisa não funciona. Acabaremos por ser uma ONG assistencial, mas não a Igreja, esposa do Senhor.

Escutámos no Evangelho da missa de hoje um facto central para a vida de Pedro e da Igreja. Jesus pede àquele pescador da Galileia um ato de fé na sua condição divina e Pedro não duvida em afirmar: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo (Mt 16,16). Imediatamente a seguir, Jesus institui o Primado, dizendo a Pedro que será a rocha firme sobre a qual será edificada a Igreja ao longo dos tempos (Mt 16,18) e dando-lhe o poder das chaves, a suprema potestade.

Embora Pedro e os seus sucessores sejam assistidos pela força do Espírito Santo, necessitam igualmente da nossa oração, porque a missão que têm é de grande transcendência para a vida da Igreja: têm de ser fundamento seguro para todos os cristãos ao longo dos tempos; portanto, todos os dias temos de rezar também pelo Santo Padre, pela sua pessoa e pelas suas intenções.

 

 

 

III. Atualização

 

• Já no século IV, um documento chamado Cronógrafo filocaliano comprova a existência de uma festa litúrgica em honra dos apóstolos Pedro e Paulo, juntos. O significado desta solenidade encontra-se, em aprimorada síntese, no seu prefácio próprio (cf. Missal Romano): “Hoje, vós nos concedeis a alegria de festejar os apóstolos São Pedro e São Paulo. 

 

• Pedro, o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o Evangelho da salvação. Por diferentes meios, os dois congregaram a única família e, unidos pela coroa do martírio, recebem hoje, por toda a terra, igual veneração”. Sigamos os passos desses dois gigantes da fé cristã e peçamos a intercessão deles em favor da Igreja de Cristo e dos povos do mundo inteiro.

 

• A missão dos apóstolos é a mesma de Jesus: devolver dignidade às pessoas impedidas de ter vida autônoma. Pedro estende a mão ao coxo, levanta-o e devolve-lhe a saúde e a dignidade. Para o homem enfermo, foi uma boa notícia: recuperou a saúde, a dignidade e a autonomia. A comunidade é convidada a continuar a prática libertadora de Jesus, estendendo as mãos ao necessitado. 

 

• Paulo apresenta como que sua “confissão e autodefesa”: começa falando de seu passado – zeloso no judaísmo e perseguidor da Igreja -, a seguir lembra que sua vocação é de origem divina, assim como o Evangelho por ele pregado. É importante destacar a mudança de vida do apóstolo: sempre é tempo de transformar a vida para melhor, deixando para trás o que não é da vontade de Deus. 

 

• Depois de ter sido perguntado por três vezes se amava Jesus, Pedro se entristece, sem entender o significado desse questionamento. Após ter certeza de que era amado por Pedro, Jesus o convida a conduzir a Igreja. Somente quem ama de verdade consegue assumir compromisso com Jesus e seu projeto, tendo sua vida conduzida pelo próprio Espírito. Tudo o que se faz deveria ser feito com amor, assim a vida se tornaria mais leve e agradável.

 


 

Pe. Edivânio José.