quarta-feira, 5 de maio de 2021

Os cristãos procuram tudo aquilo que o seu fundador rejeitou!

Os cristãos apesar de séculos e séculos passados, ainda hoje buscam as três tentações vencidas por Cristo no deserto. Entretanto, os seus seguidores conscientemente almejam, por acharem que com a conquista estão sendo agraciados e premiados por tais feitos.

Aquilo que deveria ser tido por nós cristãos como oportunidade de demonstrarmos o nosso comprometimento na “Imitação de Cristo”, pelo contrário é motivo de darmos contratestemunho, que de fato, não estamos convencidos, que as lutas humanas de Jesus foram para dizer-nos que também nós somos capazes de lutarmos e vencermos.

Agora vejamos os três pecados (tentações):

1. A tentação do Poder: Se és Filho de Deus, diz a essa pedra que se transforme em pão (Lc 4,3) – Já conhecemos a resposta de Jesus Cristo, mas mesmo assim não conseguimos superar esta provação do estômago, fisiológica, necessidade vital. Poderíamos nos perguntar, mas por que não suportamos tal tentação? Será por que ela não está apenas na dimensão biológica ou é por que ela engloba todas as dimensões da vida humana? Se conseguirmos responder estas questões, é possível chegar ao entendimento desta tentação. O poder aqui ‘trabalhado pelo diabo e Jesus’ está no binômio humano-divino; perceba que o diálogo transcorre na fluência de ser Filho de Deus (Divino) e de transformar a pedra em pão (humano). Portanto, no tocante aos cristãos, buscamos o “Poder”, seja de modo humano (material), seja de modo Divino (graça). E nos esquecemos de que Aquele que venceu disse: “Está escrito que o homem não vive somente de pão” (Lc 4,4).

2. A tentação do Ter: “Eu te darei todo esse poder e glória” (Lc 4,6). Olhando para o mundo contemporâneo, não consigo enxergar outra procura, há não ser esta. Vivemos numa sociedade sedenta de ter, hoje as pessoas até mesmo as mais bem intencionadas comentem o “suicídio ético”, pois dizem que estão se “matando de trabalhar” para poder ter, e assim, de forma humana galgar o degrau do ‘bem-estar’ e da ‘qualidade de vida’. Se inclinando a todo o meio que justiça o fim de todas as coisas, mesmo que este exija deixar Deus. Não podemos esquecermos da resposta de Jesus para esta tentação: “Adorarás o Senhor teu deus, e somente a ele prestarás culto”(Lc 48).

3. A tentação do Ser: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui para baixo, pois está escrito que deu ordens a seus anjos para te guardarem e te levarão em suas palmas, para que o teu pé não tropece na pedra”

 (Lc 4,11).

Nesta terceira provação ou pecado, nitidamente deduzimos que o Ser do qual o tempo todo o diabo está falando é o ser Filho de Deus, ou seja, de ser da mesma natureza de Deus, em última análise, de ser Deus. Diante de tudo isso, qual será a nossa postura? De uma vez que colocamos densidade do nosso ser, por exemplo: na autoimagem como pesa de dignidade da pessoa, ou até mesmo, no esteticismo psíquico, físico e espiritual, com sensação de está sendo o tempo todo por estes mecanismos externos de exposição. Não podemos nos esquecer da resposta de Jesus: “Está dito que não porás à prova o Senhor teu Deus” (Lc 4,12).

Esta reflexão nos deixa claro como Jesus sendo a Verbo eterno do Deus, venceu as provações ou tentações do diabo, não se delongando no devaneio (propostas) do sedutor. Dito isto, pretendo que o meu leitor chegue a mesma conclusão de que, se somos verdadeiros seguidores de Jesus Cristo, venceremos também as provações, se assim, o imitarmos exorcizando toda a tentação pela força da Palavra de Deus.

Pe. Edivânio José.

Exorcista



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