domingo, 24 de outubro de 2021

HOMÍLIA DO 30º DOMINGO DO TEMPO COMUM


I. INTRODUÇÃO

Exulte o coração dos que buscam a Deus. Sim, buscai o Senhor e sua força, procurai sem cessar a sua face (Sl104,3s).

Somos chamados a exultar em Deus e dar-lhe graças pelas maravilhas realizadas por ele na pessoa de Jesus, que nos livra da ignorância e do erro e cura nossas cegueiras. Neste dia das missões, o Papa Francisco nos alerta sobre a “necessidade de missionários da esperança, capazes de lembrar profeticamente que ninguém se salva sozinho”.

II. COMENTÁRIOS

A primeira leitura 

Afirma que, mesmo nos momentos mais dramáticos da caminhada histórica de Israel, quando o Povo parecia privado definitivamente de luz e de liberdade, Deus estava lá, preocupando-se em libertar o seu Povo e em conduzi-lo pela mão, com amor de pai, ao encontro da liberdade e da vida plena.

A segunda leitura 

Apresenta Jesus como o sumo-sacerdote que o Pai chamou e enviou ao mundo a fim de conduzir os homens à comunhão com Deus. Com esta apresentação, o autor deste texto sugere, antes de mais, o amor de Deus pelo seu Povo; e, em segundo lugar, pede aos crentes que "acreditem" em Jesus - isto é, que escutem atentamente as propostas que Ele veio fazer, que as acolham no coração e que as transformem em gestos concretos de vida.

Evangelho: Marcos 10,46-52

O mendigo cego, sentado à beira do caminho, não se sente confortável. Por isso, sem nenhum constrangimento, conhecendo ou intuindo o poder de Jesus de Nazaré, clama por socorro. Nem todos lhe dão apoio; alguns tentam abafar seus gritos. 

Em nossa sociedade, conhecemos atitudes semelhantes. Muitos fazem ouvidos moucos aos apelos das minorias e, mais grave ainda, procuram eliminá-las. No entanto, sempre sintonizado com a dura realidade humana, Jesus consulta o cego sobre sua real vontade. É fundamental que a pessoa se disponha a sair da situação precária em que se encontra. 

Ao obter resposta positiva, Jesus realiza uma mudança histórica na vida desse homem. Por sua fé e condição de movimentar-se livremente, o homem se torna discípulo de Jesus e com ele segue para Jerusalém.

 

Oração

Ó Jesus, Filho de Davi, sentados à beira do caminho, sem rumo nem direção, deixamos de socorrer os necessitados, não construímos uma sociedade justa e fraterna. Tem piedade de nós, Senhor. Livra-nos de uma vida sem sabor. Devolve-nos a alegria de viver e de trabalhar para o teu Reino. Amém.

 




Pe. Edivânio José.

sábado, 23 de outubro de 2021

HOMÍLIA DO SÁBADO DA 29ª SEMANA DO TEMPO COMUM


I. INTRODUÇÃO

Hoje, a "Parábola da Figueira" sugere que o progresso ―na sua fonte e essência― é um desígnio divino. Dizer que a desenvolvimento é uma vocação, comporta reconhecer que ele nasce de uma chamada transcendental e que é incapaz de dar o seu significado último por si mesmo. 

II. COMENTÁRIO

Deus é o garante do verdadeiro desenvolvimento do homem enquanto, tendo-o criado a sua imagem, também funda a sua dignidade transcendental e alimenta o seu desejo constitutivo de "ser mais".

Se o homem fosse fruto apenas do acaso ou da necessidade, e não tivesse uma natureza destinada a elevar-se numa vida sobrenatural, poderia falar-se de incremento ou de evolução, mas não de desenvolvimento. 

Sem um horizonte de vida eterna, o progresso humano neste mundo, fica sem alento. Sem Ele, ou nega-se o desenvolvimento ou coloca-se unicamente nas mãos do homem, que cai na presunção da autossalvação e acaba por promover um desenvolvimento desumanizado.

III. ATUALIZAÇÃO
• Hoje, as palavras de Jesus convidam-nos a meditar sobre o inconveniente da hipocrisia: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi lá procurar figos e não encontro» (Lc 13,6). O hipócrita aparenta ser o que não é. 
• Essa mentira, no seu extremo, chega a parecer virtude (aspecto moral) sendo um vício, ou devoção (aspecto religioso), uma vez que procura o próprio eu e os seus interesses e não a Deus. A hipocrisia moral pulula no mundo, a religiosa prejudica a Igreja.

 

Oração

Ó Jesus, divino Mestre, fazes vigoroso apelo para que as pessoas mudem de vida, assumindo os valores do Reino. Ao mesmo tempo, com a parábola da fi gueira, mostras a face tolerante de Deus, que continua dando novas oportunidades para que cada um de nós possa se converter. Amém.

 




Pe. Edivânio José.

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

HOMÍLIA DA SEXTA-FEIRA DA 29ª SEMANA DO TEMPO COMUM


I. INTRODUÇÃO

Hoje, Jesus parece o “homem do tempo” (como aquele que vemos na TV a falar do tempo que faz ou que irá fazer). Mas Jesus Cristo queixa-se de que nós não procedamos também como o “homem do tempo”. Nós?

II. COMENTÁRIO

Todas as pessoas, sobretudo as autoridades, deveriam reconhecer os sinais da chegada do Reino de Deus por meio das palavras e atos de Jesus. 

Mais que fazer uma revolução política, econômica e social, Jesus denunciou todos os contravalores criados pela ideologia do poder, da riqueza e do prestígio, colocando em seu lugar os valores da fraternidade e da partilha, que geram liberdade e vida para todos. 

Somente o projeto de Jesus pode libertar o povo da escravidão e da morte. No final, Jesus adverte: É importante valorizar o momento presente.

É tempo de possível reconciliação com Deus e com o próximo. Quando chegar a hora do julgamento, será tarde demais. Os contemporâneos de Jesus não discerniram os sinais da presença de Jesus e do seu Reino.

III. ATUALIZAÇÃO
✓ O “positivismo” considera a natureza como um conjunto de dados objetivos, vinculados entre si como causas e efeitos. Desde a concepção puramente funcional (própria das ciências naturais), não se pode estabelecer nenhuma ponte entre a “natureza” (“ser”) e a “ética” (“deve ser”); somente podem originar-se explicações funcionais.
✓ Paralelamente, aquilo que não é verificável ou falsificável não entraria no âmbito da razão. Assim, a moral e a religião passariam ao “subjetivo” (fora do âmbito da estrita razão), formando uma “subcultura”,mas, realmente o homem é reduzível a funções mecânicas?

 

Oração

Senhor Jesus, teus concidadãos sabiam interpretar os movimentos da natureza. Ignoravam, porém, o tempo de Deus, justamente esse em que realizavas as obras do Pai no meio deles. Torna-nos, Senhor, sensíveis às manifestações de Deus em nossa vida, para nos convertermos enquanto é tempo. Amém.

 

Sim 


 

Pe. Edivânio José.

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

HOMILIA DA QUINTA-FEIRA DA 29ª DA SEMANA DO TEMPO COMUM


I. INTRODUÇÃO

O batismo nos liberta da escravidão do pecado e nos chama à prática da justiça. Nosso compromisso, portanto, é rejeitar o mal e praticar o bem, a fim de alcançar “a vida eterna em Jesus Cristo, nosso Senhor”.

II. COMENTÁRIO

Hoje, o Evangelho apresenta-nos Jesus como uma pessoa de grandes desejos: Fogo eu vim lançar sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! (Lc 12,49). Jesus já queria ver o mundo a arder em caridade e em virtude. Nada menos! Tem que passar pela prova de um batismo, quer dizer, da cruz, e já queria tê-la passado. Naturalmente! Jesus tem planos e tem pressa em vê-los realizados. Poderíamos dizer que é pressa de uma santa impaciência. Também nós temos ideias e projetos, e queríamos vê-los realizados rapidamente. O tempo estorva-nos. Como estou ansioso até que isto se cumpra! (Lc 12,50), disse Jesus.

É a pressão da vida, a inquietude experimentada pelas pessoas que têm grandes projetos. Por outro lado, quem não tenha desejos é um covarde, um morto, um freio. E, além disso, é um triste, um amargurado que costuma desabafar criticando os que trabalham. São as pessoas com desejos que se mexem e originam movimento à sua volta, as que avançam e fazem avançar.

Tem grandes desejos! Aponta bem para o alto! Busca a perfeição pessoal, a da tua família, a do teu trabalho, a das tuas obras, a dos cargos que te confiem. Os santos aspiraram ao máximo. Não se assustaram diante do esforço e da pressão. Mexeram-se. Mexe-te tu também! Lembra-te das palavras de Santo Agostinho: Se dizes já chega, estás perdido. Acrescenta sempre, caminha sempre. Avança sempre; não pares no caminho, não retrocedas, não te desvies. 

III. ATUALIZAÇÃO
• O que não avança, para; retrocede o que volta a pensar no ponto de partida, desvia-se o que deserta. 
• É melhor o coxo que anda no caminho que o que corre fora do caminho. E acrescenta: Examina-te e não te contentes com o que és se queres chegar ao que não és. 
• Porque no instante em que te deleites contigo mesmo, terás parado. Mexes-te ou estás parado? Pede ajuda à Santíssima Virgem, Mãe da Esperança.

Oração

Ó Mestre Jesus, com teu fogo abrasador, purifica-nos de nossos pecados. Tua morte na cruz provoca divisões até entre os familiares. Já dizia Simeão que serias um sinal de contradição. Ajuda-nos, Senhor, a assimilar tua mensagem e revigora nossa adesão ao teu Reino de justiça e fraternidade. Amém.




 

Pe. Edivânio José.

 

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

HOMÍLIA DA QUARTA-FEIRA DA 29ª DO TEMPO COMUM.

I. INTRODUÇÃO

Hoje, Jesus Cristo adverte-nos de que a vida não é uma “farra” … Para além do tempo - que para todos acaba - há a eternidade, a Eternidade de Deus.

 

II. COMENTÁRIO

Hoje, o chamamento à vigilância aparece como uma urgência muito imediata. Já tinha sido um tema central no anúncio em Jerusalém, mas, aponta antecipadamente à história futura do cristianismo. A sonolência dos discípulos segue sendo ao longo dos séculos uma ocasião favorável para o poder do mal.

Esta sonolência é um embotamento da alma, que não se deixa inquietar por toda a injustiça e o sofrimento que devastam a terra. É uma insensibilidade que prefere ignorar tudo isso; se tranquiliza pensando que, no fundo, não é tão grave e, assim pode permanecer na autocomplacência da própria existência satisfeita. Mas, esta falta de sensibilidade das almas, tanto pelo que se refere à cercania de Deus como ao poder ameaçador do mal, outorga um poder no mundo ao maligno.

Diante nossos espíritos adormecidos, Tu, Senhor dizes de Ti mesmo: “Morro de tristeza”. Eu te respondo: Quero velar contigo!

 

Oração

Ó Jesus, Filho do Homem, chegará o momento em que nós, discípulos do Reino, teremos de prestar contas de nossas atitudes. Maior rigor será aplicado aos líderes das comunidades, pois desempenham serviços de maior responsabilidade. Ajuda-nos, Senhor, a administrar a parcela que nos é confiada. Amém.

 



 

Pe. Edivânio José.

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Homília da terça-feira da 29ª semana do tempo comum


 

I. INTRODUÇÃO

Clamo por vós, meu Deus, porque me atendestes; inclinai vosso ouvido e escutai-me. Guardai-me como a pupila dos olhos, à sombra das vossas asas abrigai-me (Sl16,6.8).

Jesus é, por excelência, o portador da misericórdia divina, capaz de apagar os pecados da humanidade. Estejamos sempre prontos para abrir as portas do coração a ele, reconhecendo-nos pecadores necessitados do perdão de Deus.

 

II. COMENTÁRIO

Rins cingidos e lâmpadas acesas indicam prontidão e vigilância ativa. Mergulhados no corre-corre do dia a dia, na administração dos bens terrenos, as pessoas deixam escapar a ocasião de viver os valores do Reino. 

Esse é o perigo que ronda todos os que vivem cercados de constantes propostas e seduções da sociedade de consumo. O cristão vive no mundo sem ser do mundo, como afirmava Jesus a respeito de seus discípulos (cf. Jo17,11.16). 

A comunidade deve estar em contínua vigilância, fiel à Palavra e à ação de Jesus. Que o mundo não nos distraia de nossos compromissos cristãos. Assim, quando o Senhor nos visitar com sua graça ou na hora de nossa morte, nos encontrará de prontidão a serviço da justiça e da fraternidade. Jesus mesmo nos honrará com seus favores.

 

Oração

Divino Mestre, estar com rins cingidos e lâmpadas acesas é como estar pronto para partir. É com essa disposição que queres ver os discípulos do Reino. Nada de desânimo, preguiça ou inércia. Tu, Senhor, nos precedes, em dinamismo, zelo e entusiasmo pelo teu Reino.

 



 

 

Pe. Edivânio José.

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

HOMÍLIA DA SEGUNDA-FEIRA -- SÃO LUCASEVANGELISTA E MISSIONÁRIO.

 I. INTRODUÇÃO

Como são belos sobre os montes os passos daquele que anuncia a paz, trazendo a boa-nova e proclamando a salvação! (Is 52,7)

Lucas, que viveu no século 1º, é o autor do terceiro Evangelho e dos Atos dos Apóstolos. Foi companheiro de Paulo nas suas viagens. Em seu Evangelho, sublinha a admissão de todos os povos à salvação. Nos Atos, apresenta o dinamismo da Igreja – que vai se consolidando em meio a perseguições – e a presença eficaz do Espírito Santo. Celebrando sua festa, proponhamo-nos ser zelosos anunciadores da Boa-nova e rezemos pelos médicos e médicas, dos quais ele é patrono.

II. COMENTÁRIO

Autor do terceiro Evangelho e dos Atos dos Apóstolos, São Lucas é de Antioquia (Síria), pertencente à segunda ou terceira geração dos seguidores de Cristo. Seu nome consta na Carta a Filêmon (v. 24) e na 2ª Carta a Timóteo (4,11); aparece também na Carta aos Colossenses (4,14), cujo autor o saúda como “Lucas, o médico amado”.

Não faltaram autores para comparar o vocabulário de Lucas com a linguagem e o estilo dos outros médicos gregos da época, e concluíram que nos dois escritos de Lucas transparece claramente certa familiaridade com o linguajar médico. 

Mediante o estudo dos seus escritos, pode-se afirmar que Lucas era pessoa culta e conhecia muito bem a língua grega. São Jerônimo não esconde sua admiração pelo escritor: “O mais dotado em língua grega entre os evangelistas”.

 

Oração

Senhor Jesus, o evangelista São Lucas, utilizando sua vasta cultura e minuciosas pesquisas, nos deixou por escrito vários aspectos significativos de tua vida e missão. Salientou teus gestos e palavras de misericórdia, a alegria da salvação e o dinamismo do Espírito Santo em tua obra libertadora. Amém.




 

 

Pe. Edivânio José.