domingo, 12 de setembro de 2021

HOMÍLIA DA 24º Domingo do Tempo Comum - Ano B


I. INTRODUÇÃO

A liturgia do 24º Domingo do Tempo Comum diz-nos que o caminho da realização plena do homem passa pela obediência aos projetos de Deus e pelo dom total da vida aos irmãos. Ao contrário do que o mundo pensa, esse caminho não conduz ao fracasso, mas à vida verdadeira, à realização plena do homem.

II. COMENTÁRIOS

1ª LEITURA - Is 50,5-9ª

A primeira leitura apresenta-nos um profeta anónimo, chamado por Deus a testemunhar a Palavra da salvação e que, para cumprir essa missão, enfrenta a perseguição, a tortura, a morte. 

O profeta está consciente de que a sua vida não foi um fracasso: quem confia no Senhor e procura viver na fidelidade ao seu projeto, triunfará sobre a perseguição e a morte. Os primeiros cristãos viram neste "servo de Jahwéh" a figura de Jesus.

2ª LEITURA - Tiago 2,14-18

A segunda leitura lembra aos crentes que o seguimento de Jesus não se concretiza com belas palavras ou com teorias muito bem elaboradas, mas com gestos concretos de amor, de partilha, de serviço, de solidariedade para com os irmãos.

EVANGELHO - Mc 8,27-35

No Evangelho, Jesus é apresentado como o Messias libertador, enviado ao mundo pelo Pai para oferecer aos homens o caminho da salvação e da vida plena.

Cumprindo o plano do Pai, Jesus mostra aos discípulos que o caminho da vida verdadeira não passa pelos triunfos e êxitos humanos, mas pelo amor e pelo dom da vida (até à morte, se for necessário). 

Jesus vai percorrer esse caminho; e quem quiser ser seu discípulo, tem de aceitar percorrer um caminho semelhante.

III. ATUALIZAÇÃO
• Jesus não veio ao mundo para cumprir um destino de triunfos e de glórias humanas, mas para oferecer a sua vida em dom de amor aos homens.
• Na perspectiva dos "homens", Jesus é apenas um homem bom, justo, generoso, que escutou os apelos de Deus e que Se esforçou por ser um sinal vivo de Deus, como tantos outros homens antes d'Ele (vers. 28). 
• É muito, mas não é o suficiente: significa que os "homens" não entenderam a novidade de Jesus, nem a profundidade do seu mistério.

 


Pe. Edivânio José.

 

sábado, 11 de setembro de 2021

HOMÍLIA DO SÁBADO DA 23ª SEMANA DO TEMPO COMUM


 

I. INTRODUÇÃO

Senhor nos surpreende fazendo “publicidade” de si mesmo. Não tenho a intenção de “escandalizar” ninguém com essa afirmação. É nossa publicidade em sentido mundano o que minimiza as coisas grandes e sobrenaturais.

É prometer, por exemplo, que daqui a poucas semanas uma pessoa gorda possa perder cinco ou seis quilogramas usando um determinado “produto-engano” (e outras promessas semelhantes) o que nos faz olhar a publicidade com desconfiança. 

II. COMENTÁRIO

Quando a gente tiver um “produto” garantido cem por cento, —e como o Senhor— não vende nada por dinheiro, somente nos pede que acreditemos tendo Ele como guia e modelo de um perfeito estilo de vida, então essa “publicidade” não nos surpreenderá e nos parecerá a mais lícita do mundo. Não tem sido Jesus o maior “publicitário” ao dizer de si mesmo «Eu sou o Caminho, a Verdade, e a Vida» (Jo 14,6)? 

Hoje afirma que quem «vem a mim, ouve as minhas palavras e as põe em prática» é prudente, «semelhante a alguém que, para construir uma casa, cavou fundo e firmou o alicerce sobre a rocha» (Lc 6,47-48), desse jeito obtém uma construção sólida e firme, que pode desafiar as batidas do mau tempo. 

Se, do outro jeito, quem edifica não tiver prudência, encontrará à casa derrubada, e se ele mesmo estiver no interior, no momento da batida da chuva, perderá a casa, mas também à vida.

III. ATUALIZAÇÃO
• Não é suficiente aproximar-se de Jesus, também é preciso ouvir com muita atenção seus ensinamentos e, principalmente, pô-los em prática, já que, inclusive, o curioso se aproxima dele, também o herege, o estudioso da história e da filologia.
• Apenas será aproximando-nos, ouvindo, e fundamentalmente praticando a doutrina de Jesus, que levantaremos o edifício da santidade cristã, para exemplo de fiéis peregrinos e para glória da Igreja celestial.

Oração

Senhor Jesus Cristo, tua mensagem confirma que nossas palavras precisam corresponder ao testemunho de vida. Belos discursos e fascinante aparência podem até enganar por um tempo, mas o que conta realmente são as boas obras. São como “tijolos” consistentes na edificação da própria vida. Amém.

 



Pe. Edivânio José.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

HOMÍLIA DA SEXTA -FEIRA DA 23ª SEMANA DO TEMPO COMUM


 

I. INTRODUÇÃO

Hoje, as palavras do Evangelho nos fazem refletir sobre a importância do exemplo e de procurar para os outros uma vida de exemplo. Por tanto, o ditado popular diz que «Pai Exemplo é o melhor predicador», e o outro que diz «vale mais uma imagem do que mil palavras».

II. COMENTÁRIOS

Não podemos esquecer, que no cristianismo, todos -sem exceção! - somos guias, já que o Batismo nos dá uma participação no sacerdócio (mediação salvadora) de Cristo: por tanto, todos os batizados temos recebido o sacerdócio batismal. E todo sacerdócio, além da missão de santificar e ensinar aos outros, incorpora também o múnus -a tarefa- de encaminhar ou conduzir.

Sim, todos -queiramos ou não- com nosso comportamento, temos a oportunidade de ser modelo estimulante para os que nos rodeiam. Pensemos, por exemplo, na ascendência que os pais têm sobre os filhos, os professores sobre os alunos, as autoridades sobre os cidadãos, etc. O cristão, no entanto, deve ter uma consciência particularmente viva a respeito de tudo isto. Mas... «Pode um cego guiar outro cego?» (Lc 6,39).

Para nós, cristãos, é uma chamada de atenção aquilo que os judeus e as primeiras gerações de cristãos falavam de Jesus Cristo: «Ele fez bem todas as coisas» (Mc 7,37); «O Senhor começou fazer e ensinar» (At 1,1).

III. ATUALIZAÇÃO
• Devemos tentar fazer em obras tudo aquilo que cremos e professamos de palavra. Numa ocasião, o Papa Bento XVI, quando ainda era Cardeal Ratzinger, afirmava que «o perigo mais grave, são os cristãos adaptados», portanto, é o caso das pessoas que de palavra se professam católicas, mas na prática, com seu comportamento, não demonstram o radical próprio do Evangelho.
• Ser radical, não é ser fanático (já que a caridade é paciente e tolerante) nem exagerado (pois, no amor não é possível exagerar). Como afirmou São João Paulo II, «o Senhor crucificado é um testemunho insuperável de amor paciente e mansa humildade»: não se trata de um fanático nem de um exagerado. Mas é radical até dizer como o centurião que assistiu sua morte «Na verdade, este homem era um justo» (Lc 23,47)

 



 

Pe. EDIVÂNIO JOSÉ.

 

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Homília da QUINTA-FEIRA 23a SEMANA COMUM


I. INTRODUÇÃO

Vós sois justo, Senhor, e justa é a vossa sentença; tratai o vosso servo segundo a vossa misericórdia (Sl 118,137.124).

Escolhidos e amados por Deus, os cristãos são incentivados a formar um só corpo com Cristo e a expressar essa unidade pela prática do amor, o “vínculo da perfeição”.

II. COMENTÁRIO

A seus discípulos, e a nós, Jesus propõe um caminho exigente. Não se trata apenas de ter amor no coração; é necessário demonstrá-lo com ações. São exigências que vão na direção contrária de nossas tendências egoístas.

Aqui a ordem do Mestre é sair de nós mesmos e favorecer gratuitamente o próximo. Mais que isso, é amar os inimigos e rezar por aqueles que nos caluniam, lembrando que a calúnia produz um rasgo profundo no íntimo da vítima.

A motivação para tudo isso é sermos semelhantes ao Pai Celeste; é assumirmos as atitudes benevolentes que ele assume em relação a todos, bons e maus.

III. ATUALIZAÇÃO

• Jesus declara solenemente: “Sejam misericordiosos, como o Pai de vocês é

misericordioso”.

• Nossas escolhas, se forem segundo as exigências do Reino, serão recompensadas

por Deus em larga medida.

Oração

Ó Jesus, nosso Mestre, cada vez que nos deparamos com estes teus ensinamentos, nos sentimos ainda na superfície em relação ao teu Reino. São exigências que pedem de nós mudança radical de mentalidade e de atitudes. Ajuda-nos, Senhor, a assimilar e a praticar tua mensagem de amor e fraternidade. Amém.



Pe. Edivânio José.

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Homília da Natividade de Nossa Senhora


 

I. INTRODUÇÃO

Hoje, a genealogia de Jesus, o Salvador que tinha que vir e, nascer de Maria, nos mostra como a obra de Deus está entrelaçada na história humana, e como Deus atua no segredo e no silêncio de cada dia. 

Ao mesmo tempo, vemos sua seriedade em cumprir suas promessas. Inclusive Rut e Rahab (Mt 1,5), estrangeiras convertidas à fé no único Deus (e Rahab era uma prostituta!), são antepassados do Salvador.

II. COMENTÁRIO

O Espírito Santo, que havia de realizar em Maria a encarnação do Filho, penetrou, pois em nossa história desde muito longe, desde muito cedo e, traçou um rumo até chegar a Maria de Nazaré e, através dela, a seu filho Jesus. «Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado Emanuel» (Mt 1,23). 

Quão espiritualmente delicadas deviam ser as entranhas de Maria, seu coração e sua vontade, ao ponto de atrair a atenção do Pai e a convertê-la em mãe do Deus-com-os-homens! Ele que tinha que levar a luz e a graça sobrenaturais para a salvação de todos. Tudo, nesta obra, nos leva a contemplar, admirar e adorar, na oração, a grandeza, a generosidade e a simplicidade da ação divina, que enaltece e resgatará nossa estirpe humana implicando-se de una maneira pessoal.

III. ATUALIZAÇÃO
• No Evangelho de hoje, vemos como foi notificado a Maria que traria a Deus, o Salvador do Povo. E pensemos que esta mulher, virgem e mãe de Jesus, tinha que ser ao mesmo tempo, nossa mãe.
• especial escolha de Maria —«bendita entre todas as mulheres» (Lc 1,42) — faz com que nos admiremos da ternura de Deus, na maneira de proceder; porque não nos redimiu —por assim dizer— à distância, e sim se vinculando pessoalmente com nossa família e nossa história. 
• Quem podia imaginar que Deus ia ser tão grande, e ao mesmo tempo tão condescendente, aproximando-se intimamente a nós?

 

 



Pe. Edivânio José.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

HOMÍLIA DA 23ª SEMANA DO TEMPO COMUM


I. INTRODUÇÃO

Hoje Jesus nos dá exemplo de liberdade. Falamos muitíssimo dela nos nossos dias. Mas a diferença do que hoje se apregoa e até se vive como liberdade, a de Jesus, é uma liberdade totalmente associada e aderida à ação do Pai. 

Ele mesmo dirá: Vos garanto que o Filho do homem não pode fazer nada por si só e sim somente o que vê o Pai fazer; o que faz o Pai, faz o Filho (Jo 5,19). E o Pai só obra, só age por amor.

II. COMENTÁRIO

O amor não se impõe, mas faz agir, mobiliza devolvendo com amplidão a vida. Aquele mandato de Jesus: Levanta-te e fica aqui no meio (Lc 6,8); tem a força recriadora daquele que ama, e pela palavra age. Mas ainda, o outro: Estende tua mão, (Lc 6,10), que termina conseguindo o milagre, restabelece definitivamente a força e a vida daquele que estava débil e morto.

Salvar é arrancar da morte e, é a mesma palavra que se traduz por sanar. Jesus curando, salva o que havia de morto nesse pobre homem doente, e isso é um claro signo do amor de Deus Pai para com suas criaturas. 

Assim, na nova criação onde o Filho não faz outra coisa mais do que vê fazer ao Pai, a nova lei que imperará será a do amor que se põe em obra e, não a de um descanso que inativa, inclusive, para fazer o bem ao irmão necessitado.

III. ATUALIZAÇÃO
• Liberdade e amor conjugados é a chave para hoje. 
• Liberdade e amor conjugados à maneira de Jesus. 
• Aquilo de: ama e faz o que queiras, de Santo Agostinho tem hoje vigência plena, para aprender a configurar-se totalmente com Cristo Salvador.

Oração

Senhor Jesus, o ser humano é mesmo estranho! Como podem os fariseus ficar com raiva porque, em dia de sábado, fizeste o bem, curando a mão paralisada de um homem? Concede-nos, ó Mestre, sabedoria e abertura de coração para compreender teus ensinamentos e praticá-los. Amém.




 

Pe. EdivânioJosé.

domingo, 5 de setembro de 2021

Homília do 23º Domingo do Tempo Comum - Ano B.

I. INTRODUÇÃO

A liturgia do 23º Domingo do Tempo Comum fala-nos de um Deus comprometido com a vida e a felicidade do homem, continuamente apostado em renovar, em transformar, em recriar o homem, de modo a fazê-lo atingir a vida plena do Homem Novo.

II. COMENTÁRIO

1ª LEITURA Is 35,4-7a

Na primeira leitura, um profeta da época do exílio na Babilónia garante aos exilados, afogados na dor e no desespero, que Jahwéh está prestes a vir ao encontro do seu Povo para o libertar e para o conduzir à sua terra.

Nas imagens dos cegos que voltam a contemplar a luz, dos surdos que voltam a ouvir, dos coxos que saltarão como veados e dos mudos a cantar com alegria, o profeta representa essa vida nova, excessiva, abundante, transformadora, que Deus vai oferecer a Judá.

2ª LEITURA Tiago 2,1-5

A segunda leitura dirige-se àqueles que acolheram a proposta de Jesus e se comprometeram a segui-lo no caminho do amor, da partilha, da doação. 

Convida-os a não discriminar ou marginalizar qualquer irmão e a acolher com especial bondade os pequenos e os pobres.

EVANGELHO Mc 7,31-37

No Evangelho, Jesus, cumprindo o mandato que o Pai Lhe confiou, abre os ouvidos e solta a língua de um surdo-mudo.

No gesto de Jesus, revela-se esse Deus que não Se conforma quando o homem se fecha no egoísmo e na autossuficiência, rejeitando o amor, a partilha, a comunhão.

O encontro com Cristo leva o homem a sair do seu isolamento e a estabelecer laços familiares com Deus e com todos os irmãos, sem excepção.

III. ATUALIZAÇÃO
• A fraternidade, o amor, a misericórdia, a tolerância que Cristo nos propõe têm de informar cada passo da nossa existência.
• Derramar-se sobre aqueles que encontramos em cada instante, mesmo se são de outra raça, se têm outra cultura, se frequentam ambientes diversos.
• Se não concordam com as nossas ideias, se têm uma forma diferente de encarar a vida.

 



Pe. Edivânio José.